segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Consciência negra. Qual é a ligação com a umbanda?

Hoje, 20 de novembro. Mais um dia para se falar de consciência negra... mais um dia para falar do feriado... eu sou umbandista, candomblecista, juremeiro, quimbandeiro... Para mim é só mais um feriado!

Será que realmente é só mais um feriado? Dentro de nossas religiões de matrizes africanas não temos nenhuma reflexão à fazer sobre hoje...?

E se pensarmos no sofrimento que os nossos queridos vôzinhos e vózinhas sofreram enquanto vivos, apenas por serem negros...?

E se pensarmos nas violências que você umbandista, candomblecista, juremeiro, quimbandeiro ou outro adepto de qualquer outra religião de matriz africana sofre, ouve ou presencia a cada dia...?

E se pensarmos em cada gota de sangue ou em cada lágrima que os negros escravizados derramaram para pedir clemência aos seus orixás...? Orixás estes que pedimos, agradecemos e cultuamos hoje...

E se pensarmos nas vezes que alguém perguntou para você qual era a sua religião e como resposta disse: "sou espírita..." , "não tenho religião..." , ou simplesmente desconversou sobre o assunto...?

E se pensarmos nas vezes que você teve que usar um símbolo de sua religião, por qualquer motivo que seja, e você escondeu ou usou como um simples adorno...?

E se pensarmos nas vezes que vimos alguém usando uma peça de roupa branca, seja bata, calça ou vestido e pensamos ou ouvimos "olha lá um macumbeiro..." ?

E se pensarmos em todas as vezes que tivemos que assistir à um video que alguém está apanhando ou é obrigado a quebrar seus pertences simplesmente porque tem essa religião como crença...?

Será mesmo que não temos nada ou motivo nenhum para refletirmos sobre o dia de hoje...? 

Será que realmente é só mais um feriado...?

Será que eu não tenho nada haver com isso tudo...?

(Regiane Oho)





sábado, 18 de novembro de 2017

Quartinhas

As quartinhas de santo, são jarrinhos nos quais preenchemos de água e oferecemos ao orixá a água é a fonte da vida e por isso é imprescindível.

Dentro da quartinha do orixá pode ter a Otà (pedra), Omin (àgua) e talvez haja um Obì (fruto sagrado).

O dono da quartinha troca a água (tirar a água velha e por uma nova) e depois acende uma vela, fazendo pedidos e agradecendo ao orixá. Tudo isso simboliza uma renovação do axé e da vida, já que a vida (água) foi renovada.

A quartinha parece ter vida, pois ela transpira por meio do material de que foi feito. Devemos ter muito respeito por ela, pois é uma união de energias, todas essas entre você e seu orixá.

A quartinha fica ao lado do assentamento do mesmo orixá, fazendo assim uma maior conscentração de energia.

As quartinhas de barro podem ser oferecidas aos orixás homens, com exceção à Oxaguian e Oxalufan (orixás funfun) que recebem quartinhas de louça branca.

As yabás (orixás mulheres) recebem geralmente quartinhas de louça florida e enfeitada de suas respectivas cores; Iansã em muitas casas recebe quartinha de Barro.

As quartinhas com asa é entregue às orixás mulheres e sem asa para os orixás homens.

Antigamente na Àfrica todas as quartinhas eram de barro, mas com a vinda dos negros para o Brasil, as escravas se encantaram pelas porcelanas portuguesas das senhoras, e assim passaram a enfeitar mais esses pequenos jarrinhos.



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Imagine...

Imagine um abraço fraterno em 360 graus:

Isso é Umbanda.

Imagine uma vela acesa com Fé gerando mais energia que uma usina nuclear:

Isso é Umbanda.

Imagine Divindades, Anjos, Santos, Sábios, Magos, Gênios, Sacerdotes, Xamãs, Babalaôs, Pajés, Iogues, Iniciados, Cientistas, Curadores, Trabalhadores da Caridade de todas as épocas e culturas voltando à Terra para restaurar a Paz e a Lei Maior:

Isso é Umbanda.

Imagine a última peça que falta no milenar “quebra-cabeça” que compõe a sua Alma:

Isso é Umbanda.

Imagine traumas, neuroses, fobias, vírus e bactérias físicas e astrais sendo dissolvidos na baforada de um cachimbo:

Isso é Umbanda.

Imagine a Pemba traçando e reproduzindo os Códigos Sagrados da Criação:

Isso é Umbanda.

Imagine o padê de Exu promovendo a harmonia entre Luz e Trevas:

Isso é Umbanda.

Imagine o médium descalço vestido de branco iluminando-se por dentro:

Isso é Umbanda.

Imagine o consulente confortado e esclarecido subindo mais um degrau evolutivo:

Isso é Umbanda.

Imagine o Homem servindo a Natureza e a Natureza servindo o Homem:

Isso é Umbanda.

Imagine o sal das lágrimas misturando-se ao sal do Mar, Ventre de Yemanjá:

Isso é Umbanda.

Imagine a flecha certeira de Oxossi alinhando Razão, Emoção e Ação:

Isso é Umbanda.

Imagine a espada de Ogum abrindo caminho no cipoal das ilusões humanas:

Isso é Umbanda.

Imagine o machado de Xangô aparando as arestas do Karma Planetário:

Isso é Umbanda.

Imagine Oxalá retirando os espinhos de teu coração e Oxum cobrindo com mel teus ferimentos:

Isso é Umbanda.

Agora, deixe de imaginar...

Pois tudo isso não é sonho, é realidade vivida e sentida

A toda hora, todo dia, ao som de um belo ponto cantado

No abraço do Caboclo,

No toque do Preto  Velho,

Na brincadeira da Criança,

No olhar do Exu Guardião,

No sorriso do Baiano,

No balanço do Marinheiro,

No encanto da Cigana,

Na ginga do Malandro,

No laço do Boiadeiro...

...meu Filho:

ISSO É UMBANDA!

(Álvaro Vinícius)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Umbanda, 109 anos praticando a caridade!

No dia 15 de novembro de 1908, o Caboclo das 7 Encruzilhadas incorporou no médium Zélio de Moraes iniciando uma religião chamada UMBANDA. Religião que pregaria o amor e a caridade à todos que necessitassem!

Hoje, a nossa querida umbanda completa 109 anos de muito amor distribuído, de muita caridade praticada, muitos abraços dados a quem mais precisava em algum momento difícil ou alegre de sua vida!

Os filhos desta linda religião já conquistaram muitas coisas, com muita dor, luta e suor, mas precisamos conquistar muito mais!

Em novembro de 2016, o prefeito do Rio de Janeiro, decretou a Umbanda como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. Desde então a prefeitura começou a cadastrar os terreiros de umbanda.

Na última semana do mês de outubro deste ano, o Ministério da Cultura entrou com um pedido ao Instituto de Patrimônio Histórico e de Arte Nacional - IPHAN para tornar as religiões de Umbanda e Candomblé patrimônios nacionais.

Outra conquista foi em 16 de maio de 2012, a lei número 12644 foi aprovada instituindo o dia 15 de novembro o Dia Nacional da Umbanda.

Estes três fatos citados acima demonstra o resultado de uma grande luta de nossos irmãos de fé,  porém precisamos continuar lutando para que a intolerância religiosa possa algum dia não existir mais.

Vamos fazer desse dia, um dia para refletirmos e mostrar que nossa religião é merecedora de todo o respeito assim como todas as religiões que aqui existem.

Graças ao Caboclo das 7 Encruzilhada que um dia, aqui em terra se manifestou, que hoje podemos saravar junto com todas as linhas de umbanda.

Salve a Umbanda!




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Oxum faz as mulheres estéreis

Logo que o mundo foi criado,

todos os orixás vieram para a Terra

e começaram a tomar decisões e dividir encargos entre eles,

conciliábulos nos quais somente os homens podiam participar. 

Oxum não se conformava com essa situação. 

Ressentida pela exclusão, ela vingou-se dos orixás masculinos.

Condenou todas as mulheres à esterilidade,

de sorte de qualquer iniciativa masculina

no sentido da fertilidade era fafada ao fracasso.

Por isso, os homens foram consultar Olodumare.

Estavam muito alarmados e não sabiam o que fazer

sem filhos para criar nem herdeiros para quem deixar suas posses,

sem novos braços para criar novas riquezas e fazer as guerras

e sem descendentes para não deixar morrer suas memórias. 

Olodumare soube, então,  que Oxum fora excluída das reuniões.

Ele aconselhou os orixás a convidá-la, e as outras mulheres, 

pois sem Oxum e seu poder sobre a fecundidade 

nada poderia ir adiante.

Os orixás seguiram os sábios conselhos de Olodumare

e assim suas iniciativas voltaram a ter sucesso.

As mulheres tornaram a gerar filhos

e a vida na Terra prosperou.

(Mitologia dos orixás - Reginaldo Prandi)



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ritual de prosperidade com os ciganos

A linha dos ciganos na umbanda mostra a alegria desse povo, mas também mostra os seus mistérios, suas magias, suas artes de leituras de cartas ou mãos por exemplo. É uma linha que os consulentes vem pedir ajuda principalmente financeira. 

Se você está precisando de uma ajudinha, confira esse ritual abaixo. Você precisará de:

- 1 taça virgem
- meia taça de mel puro
- 7 colherzinhas de pó de ouro( vende em casa de artigos religiosos)
- 1 vela de 7 dias dourada 
- 7 paus de canela 
- 7 anis estrelados
- 1 colher bem cheia de orégano

Coloque o mel na taça e encha com pó de ouro mexendo muito bem e logo acenda a vela ao lado pedindo clientes se tiver comércio, caminhos, prosperidade, etc...
Peça com fé aos ciganos do ouro e da prata! Quando a vela acabar coloque a taça em um local do seu agrado, pode por também atrás de sua porta ou onde achar melhor! 

No mesmo dia do ritual ferva 2 litros de água com ANIS, CANELA e ORÉGANO, tome o banho do ombro pra baixo pedindo PROSPERIDADE! 





domingo, 12 de novembro de 2017

Yànsán, a senhora das tardes

Oyá teve nove filhos, uns dizem que foi com Ògúm outros que foi com Shàngó , oito nasceram mudos e o último nasceu um Égúm e graças aos sacrifícios recomendados por Ifà, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada Segi, que imita a voz do macaco africano chamado Ijimarè, macaco que é consagrado aos Érés.

1 – Imalagà: Nasceu no primeiro dia do Eboykú arrancado do ventre de Oya pelas Ìyámi, e foi envolvido em abanos;

2 – Iorugà: Foi envolvido na palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oya e é o preferido;

3 – Akugà: Nasceu no terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal;

4 – Urugà: Alimenta-se das folhas da bananeira e esconde-se nas florestas. Faz buracos;

5 – Omorugà: Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos;

6 – Demó: Oyá cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Òshóòsì;

7 – Reigá: Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas;

8 – Heigà: É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens;

9 – Egungun: Oyá preparou-o para combater. Ele se apossa do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

Oyá carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os Égùns , chama-se Orukeré.

Recebeu de Shàngó o título de Yànsán , que quer dizer , “a senhora das tardes “, pois chegava sempre as tardes , linda e esvoaçante com sua roupa de fogo.

Rainha de muito brilho e amabilidade, Dona do vermelho, manipuladora do fogo e dos ventos fortes. Oya, recebeu de Olorún o titulo de L’Oyá Fefe Idé (Oyá dona dos ventos fortes).

Ela é a dona do Axêxê, pois foi criado por Oshóssi e quando o mesmo morreu, ela ficou tão desolada pois não tinha más ninguém para compensar tamanha solidão, levava todos os dias de quinta-feira os pratos prediletos de Oshóssi nas matas e fazia um verdadeiro banquete. Seu emblema é o Erukerê e a Ofanje .

É tida como ” Yá Osú ” mãe do vermelho. Suas principais  iguarias são os Acarás, o Amalá e o Ekuru