quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Oi... Sou eu, seu orixá!

“Eu estou ao seu lado e sou aquele que nunca desacredita dos seus sonhos.

Sou eu que as vezes altero seu itinerário, e até atraso seus horários para evitar acidentes ou encontros desagradáveis.

Sim, sou eu que falo ao seu ouvido aquelas “inspirações” que você acredita que acabou de ter como “grande ideia”.

Sou eu quem te causa aqueles arrepios quando você se aproxima de lugares ou situações que vão te fazer mal.

E sou eu quem chora por você quando você com a sua teimosia insiste em fazer tudo ao contrário só para desafiar o mundo.

Quantas noites passei na cabeceira de sua cama velando por sua saúde, cuidando de sua febre e renovando suas energias?

Quantos dias eu te segurei para que você não entrasse naquele ônibus, carro e até avião?

Quantas ruas escuras eu te guiei em segurança? Não sei, perdi a conta, e isso não importa.

O que realmente importa, e o que me deixa triste e preocupado, é quando você assume a postura de vítima do mundo.

Quando você não acredita na sua capacidade de resolver os problemas, quando você aceita as situações como insolúveis

Quando você pára de “lutar” e simplesmente reclama de tudo e de todos.

Quando você desiste de ser feliz e culpa outra pessoa pela sua infelicidade.

Quando você deixa de sorrir e assume que não há motivos para rir, quando o mundo está repleto de coisas maravilhosas.

Quando se esquece até de mim, seu Orixá, aquele que Olorum deu a honra de auxiliar nessa missão tão difícil que é viver e progredir.

Já que me deixaram falar diretamente com você, gostaria de te lembrar...

Que estou ao seu lado sempre, mesmo quando você acredita estar totalmente só e abandonado...

Até nesse momento eu estou segurando a sua mão, eu estou consolando seu coração...

Eu estou te olhando, e por te amar demais, fico triste com a sua tristeza, mas como eu sei que você nasceu para brilhar...

Eu agradeço a Olorum a oportunidade bendita de te conhecer e cuidar de você, porque você é realmente muito especial.

Seu Orixá, que acredita em você!"



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Quem é Ewá?

O Orixá Ewá ou Iyewá, é uma bela virgem que Xangô se apaixonou, porém não conseguiu conquistá-la, Ewá fugiu de Xangô e foi acolhida por Obaluaiyê que lhe deu refúgio. 

Ewá mora nas matas inalcançáveis, ligada a Iroko e Oxóssi, e tornou-se uma guerreira valente e caçadora habilidosa. Ewá é casta, a senhora das possibilidades.


As virgens contam com a proteção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. 

A própria Ewá, acreditam alguns, só é iniciada na cabeça de mulheres virgens, pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem filha dileta de Oxalá e Oduduwá. 

Dia da semana: Sábado

Cores: Vermelho, rosa, coral e amarelo

Simbolos: Lira, arpão e ofá

Rege: Beleza, vidência e criatividade

Saudação: Ri ró Ewá! (Doce, branda Ewá!)

Sincretismo: Santa Luzia



Ri ró Ewá!

Estando Ewá à beira do rio, com um igba (gamela) cheio de roupa para lavar, avistou de longe um homem que vinha correndo em sua direção. 

Era Ifá que vinha esbaforido fugindo de Ikú (a morte).

Pedindo seu auxílio, Ewá despejou toda roupa no chão, que se encontrava no igba, emborcou-o em cima de Ifá e sentou-se. 

Daí a pouco chega a morte perguntando se não viu passar por ali um homem e dava a descrição. Ewá respondeu que viu, mas que ele havia descido rio abaixo e a morte seguiu no seu encalço. 

Ao desaparecer, Ifá saiu debaixo do igba e levou Ewá para casa, a fim de torná-la sua mulher.

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos lhe concedeu e por esta razão é sincretizada com Santa Luzia.

Ewá é sincretizada com Santa Luzia e homenageada em 13 de dezembro.



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Desistindo...

"Hoje eu pensei em desistir, largar tudo, seguir outro rumo, de joelhos, chorando eu pedi a Oxalá um caminho novo. Foi quando eu senti o meu coração acelerar, senti uma força muito grande, meu corpo arrepiou, suava frio, quando abri os olhos todos os meus guias estavam em minha frente.

O primeiro a me abraçar foi meu preto velho, e ele me disse:

- Filho serei sempre o abraço que você precisa na dificuldade, comigo você pode sempre contar.

Logo em seguida veio a preta velha, sorriu, pegou um terço que estava em seu pescoço, colocou em minha mão e disse: 

- Filho quando estiver com o coração amargurado e com medo, ore com fé que eu venho lhe ajudar.

Logo em seguida meu caboclo deu um brado tão forte que me arrepiei dos pés a cabeça, e me disse:

- No meu brado todos os seus medos e inseguranças vão perder a força.

Logo em seguida veio minha cabocla e me olhou firme, tirou uma pena do seu cocar e disse: 

- Seja leve feito uma pena, mas saiba aonde pousar.

Logo em seguida veio meu erê, me rodeou jogou uma luz colorida e disse: 

- Vim colorir seu coração, ele anda muito triste.

Logo em seguida meu boiadeiro pegou seu laço e começou a rodar, tocou seu berrante e disse: 

- Enquanto eu for boiadeiro filho, nenhum dos meus se perde na estrada.

Calmamente meu cigano me olhou, piscou e disse: 

- Seja livre feito o vento, saiba caminhar alegremente e quando estiver perdido é só olhar para as estrelas, olhe, que lá vou estar para lhe guiar.

Quando eu ia me levantar olhei para o lado e minha pomba gira me deu a mão e disse: 

- Todas às vezes que você cair eu vou lhe ajudar a levantar, no chão você nunca vai ficar.

Lá na porteira dando segurança, meu Exú deu uma gargalhada e disse: 

- Gostou moço, da surpresa? Desistir pra que rapaz? Olha quantas pessoas acreditam em você. Enquanto nós espíritos formos firmes em sua vida, seu caminho será sempre a Umbanda!

E com um lindo sorriso ele bateu seu tridente no chão e todos os espíritos se foram. E foi aí que percebi que a Umbanda será sempre a luz que guia meu caminho. Que qualquer estrada que eu caminhar, a força que eu carrego ao meu lado sempre vai estar.

(Autor desconhecido)



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Carta de Oxum

Hoje o dia é dela, mas quem recebe presente é você, principalmente que é filho dela! Leia a carta que mamãe Oxum escreveu à seus filhos!

"Ah minha filha...!

Você e esse teatrinho de ser durona... 

De tentar ser fria e esconder teus sentimentos. Quem vê até pensa, quem vê até imagina que você é assim. Tão má, tão fria, tão durona.

Mal sabem eles como você é delicada, gentil e amável. Não com todos, aliás, com poucos. Pois para estar ao teu lado tem que ser pessoas sinceras e verdadeiras...

Até com sua mãe Oxum, você aprendeu a não ser tão sentimentalista. Aprendeu a ser forte, segura, firme e decidida...

Você guarda toda essa delicadeza por medo, eu sei... Medo de se machucar, medo de se decepcionar. Seja no amor ou na amizade!

As pessoas te pisam quando você é assim (delicada, sensível)... Então você prefere usar essa máscara aí. De fria e durona...

Meus parabéns, viu? 

Engana meio mundo, mas não a mim.

Te conheço muito bem pois sou sua mãe Oxum...

Eu vejo o aperto em seu coração à noite, vejo quando dizes que não aguenta mais. Eu vejo quando se desespera, quando se tranca e se isola do mundo. Conheço o seu choro baixinho pra ninguém ouvir. Eu vejo tudo...

Conheço você muito bem... és minha filha amada, minha protegida!

Sei que já te fizeram sofrer, e muito, eu sei...

Sei também que você finge não se importar, com as pessoas. Mas se importa até demais.

Basta um amigo ou familiar precisar de você e simplesmente você vai lá ajudar. Mesmo não estando bem, você vai e ajuda... Ah, que coração bom esse seu minha filha. Pena que nem todos reconhece e agradece... Não é verdade?

Sei que se preocupa, sei que ama, sei que sente. Você simplesmente esconde isso. Se bem que no fundo, ainda resta uma pequena esperança contida no seu coração...

Você, disfarçadamente, ainda tem fé, de que tudo vá dar certo. Amor, família, amigos... Um futuro, um príncipe, uma história de amor...

Você, no fim, continua sendo apenas uma garotinha que se entrega demais, que sente demais, que se machuca demais. que ama demais... Intensa é o que és!

Você tem um grande talento, sabe sofrer em silêncio e ainda colocar um sorriso lindo no rosto... Saiba filha que momentos ruins não são eternos, são como tempestades, só duram por algum momento. 

Olhe para trás.... e veja quantas coisas piores você já passou e superou!

Minha filha... 

Não seja a menina que caiu.

Seja a mulher que usou a fé, se levantou e deu a volta por cima!

Filha minha pode até cair... Mas não fica no chão!

Que o brilho do meu ouro seja a luz para clarear teus caminhos... 

Acredite, você será mas feliz do que imagina!

Sua mãe Oxum!"



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Ekèdi, quem são elas?

Comummente, vemos pessoas do santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. 

Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos orixás da casa. Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. 

O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje, mas se popularizou em todas as casas de candomblé no Brasil. Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. 

Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois, precisam   estar acordadas para exercerem sua função. Dentro de uma casa de santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifesatados por nosso orixá. 

A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do zelador da casa. 

Este cargo é de suma importância dentro do candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos encantados pudessem vir a Terra. 

Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros ministros. 

A complexidade de uma casa de santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os orixás estejam plenamente satisfeitos. 

Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações. 

Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no xirê dos orixás. Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos orixás, toca o adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos. 

Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando dele, para que se sinta amado e respeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nos orôs, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível. 

Devemos às mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso orixá de uma forma que jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido. 

E, quando identificam um aborrecimento de um orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa. Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois elas que nos acompanham em todos os rituais, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele orixá. 

Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A rainha dos raios e tempestades

No dia 4 de dezembro homenageamos a orixá rainha dos raios e tempestades, senhora que controla os espíritos dos mortos e guerreira destemida Iansã. Eparrey Oyá!

Iansã, ou Oyá, é um orixá sincretizada com Santa Bárbara, pela igreja católica.

Oyá, a deusa do Rio Niger, é representada com um alfange e uma cauda de animal nas mãos, e com um chifre de búfalo na cintura.

Na mitologia yorubá, Xangô casou-se com três de suas irmãs, deusas de rios: Oyá (deusa do rio Niger), Oxum (deusa do rio Osun) e Obá (deusa do rio Obá).

Nas lendas provenientes do candomblé, Iansã foi mulher de Ogum e depois de Xangô, seu verdadeiro amor. Xangô roubou-a de Ogum.

O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao entardecer, Iansã pode ser traduzido como “a mãe do céu rosado” ou a “mãe do entardecer“. Ao contrário do que muitos pensam Iansã não quer dizer “a mãe dos nove“. Xangô a  chamava de Iansã pois dizia que Oyá era radiante como o entardecer ou como o céu rosado e é por isso que o rosa é sua cor por excelência.

Características dos filhos de Iansã

O filho de Iansã é conhecidos por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar.

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida