quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sim, sou feita no santo!


Sim , sou feito no santo...

Raspei meus cabelos , encarei o olhar do preconceito e venci os meus maiores medos .

Sim, sou feito no santo...

Dormi quando quis ficar acordado , fiquei acordado quando o que mais queria era dormir , comi sem sentir fome e senti fome quando não podia comer .

Sim, sou feito no santo... 

Vivi a simplicidade , aprendi a humildade e ganhei o conhecimento.

Sim, sou feito no santo...

Aprendi a cantar, a rezar e a AMAR aquilo que sempre foi motivo de medo e repúdio para os ignorantes .

Sim , sou feito no santo... 

Conheci o desconhecido, sobrevivi ao um universo paralelo e descobri uma imensidão de aprendizado.

Sim , sou feito no santo...

Me arrepiei quando senti o poder da força do asé e me emocionei quando senti o tamanho do amor da minha fé.

Sim , sou feito no santo...

Eu chorei, eu ri, eu louvei, eu escutei, eu abaixei a cabeça e bati paó.

Sim , sou feito no santo...

Uso kelê, contra egun , umbigueira e cháoro.

Sim, sou feito no santo... 

Dormi sobre o ibá , beijei meu ibá , admirei meu ibá , e fiz carinho em meu ibá, pois aprendi a amar o lar do meu orixá.

Sim sou feito no santo...

Vivi em um breve tempo uma vida que poderia ser escrita num livro, foram momentos únicos, oportunidades únicas e uma grande chance de poder ter a honra de vivenciar um momento tão único e especial dentro da religião afro. 

Sim, sou feito no santo..  

Eu morri e renasci para uma vida que sem dúvida alguma é a melhor de todas. Pois vida sem fé , não se vive , somente sobrevive.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

6 curiosidades sobre o povo cigano


Ontem foi o dia internacional dos ciganos e hoje vamos conhecer algumas curiosidades desse povo alegre, cheio de mistérios, por muito tempo perseguido na Europa e rotulados por gente que não os conhecem...

A tradição cigana é muito restrito e ainda hoje não conhecemos totalmente seus detalhes, isso porque a cultura desse povo é oral, ou seja, passado de geração para geração, de pai para filho, de mãe para filha...

Vamos conhecer então essas curiosidades?

1. A maior minoria étnica da Europa.

De acordo com a pesquisa realizada pela Comissão Européia, os ciganos são o maior grupo de minoria etnicamente falando na Europa. Estima-se que exista entre 10 à 12 de ciganos vivendo na Europa.

2. Porajmos, a dizimação do povo cigano.

Nas aulas de história estudamos sobre o Holocausto, a dizimação do povo judeu. Porém não conhecemos sequer a existência da dizimação do povo cigano chamada de Porajmos. Desde que este povo chegou na Europa, por volta do século XII, sempre sofreu perseguições e muitos foram escravizados na Romênia por mais de quinhentos anos. O parlamento Europeu só passou a reconhecer o Porajmos como um genocídio na história da humanidade em 2015 e o dia 2 de agosto é considerado o Dia da memória dos ciganos, tendo sempre homenagens aos mais de 500 mil ciganos assassinados durante o Porajmos.

3. O dia mundial dos ciganos.

No ano de 1990, na Polônia, foi instituído o dia mundial dos ciganos o dia 08 de abril. Na Europa existem vários eventos relacionados ao dia para refletir e diminuir ações preconceituosas e intolerantes sobre este povo.

4. Ciganos aqui no Brasil.

Apesar de não ser oficial, estimasse que aqui em nosso país exista 500 mil ciganos espalhados pelo território nacional. Infelizmente aqui, os ciganos também sofrem atos e situações preconceituosos.

5. As crianças e ervas.

Desde muito cedo as crianças aprendem a identificar suas propriedades e utilizar as ervas.

6. Os lenços e a lua.

Os casamentos dentro da cultura cigana sempre são realizados no período da lua cheia e para demonstrar que aquela cigana está casada, elas utilizam lenços na cabeça.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

A lingua


Quando Obatalá entregou o comando a Xangô, como este era jovem, ninguém o queria respeitar e nem leva-lo em consideração e todos os dias alguém fazia fofocas a Obatalá sobre Xangô.

Depois de tantas fofocas um dia Xangô disse a Obatalá: 

- Pai, por que todos os dias lhe dizem algo de mim, e nada disso que dizem é verdade?

Mas Obatalá, que conhecia a seriedade de Xangô, lhe disse: 

- Espera que os dias passem e te acalme tenha paciência.

E assim Xangô foi embora da casa de seu pai. 

Obatalá foi consultar a Orumilá (o orixá da sabedoria) este lhe disse para fazer uma oferenda à Exu e que mandasse Xangô cozinhar e que tirasse suas próprias conclusões, e assim fez Obatalá mandou chamar Xangô e lhe disse: 

- Filho Meu, eu gostaria que você fizesse uma refeição para todos os meus filhos e para mim. Gostaria que você me fizesse ou cozinhasse o que há de MELHOR no mundo.

Xangô fez a comida aos filhos de Obatalá, tal como ele tinha pedido e fez para Obatalá língua de vaca e este disse:

- Xangó, língua é a melhor comida do mundo?

Respondeu Xangô:

- Sim pai, um bom axé de língua é a melhor comida do mundo.

Passou algum tempo e Obatalá voltou a pedir a Xangô para fazer uma refeição para todos os seus filhos, mas que ele fizesse a PIOR comida que havia no mundo.

Xangô cozinhou para ele outra vez a língua, e Obatalá lhe disse: 

- Xangô, se da outra vez você me fez o mesmo e me disse que era o melhor!!!! Por que você fez o mesmo como sendo o pior?

Xangô lhe respondeu: 

- Pai, uma boa língua salva um povo, mas uma má língua, pode ser a perdição do mesmo povo. 

Ouvindo Obatalá lhe disse: 

- Você tem razão, Xangô. Uma língua pode ser boa ou má depende da intenção que for usada!!! E é por isso que você vê que todos os dias estão falando algo de você, e precisamente, por isso vai te tornar maior porque no dia em que não te mencionarem no BEM ou no MAL, deixarias de ser Xangô!



quinta-feira, 5 de abril de 2018

Cavaleiro da estrela guia


Este livro é um dos romances psicografados mais lindo que já li! Apesar de ser longo, a história vem com uma linguagem simples e gostosa de ler, e por causa disso, nos envolve de uma tal forma, que enquanto a história não acaba a gente não para de ler...

O romance conta a história de Simas Amoeda, um ex-juiz da Santa Inquisição que, por ingenuidade, levou o seu pai à morte na fogueira e que, a partir dessa decepção, saiu pelo mundo vindo aportar no Brasil, onde conheceu João de Mina, um velho negro escravo, a quem chamou de pajé negro e com ele aprendeu sobre os orixás. Além de conviver com os negros, Simas também conviveu com os índios, onde aprendeu o segredo e o poder das ervas.

No meio de seu caminho, conheceu seus amores e seu grande ponto de força que vinha do mar e que lhe presenteou com uma linda e poderosa estrela, que o guiava sempre. 

Em edições antigas a saga era dividida em três volumes, hoje podemos encontrar a saga completa em um único volume.

Essa é  uma dica de leitura, onde você encontrará várias referências da nossa querida e amada umbanda! E aí? Você gostou da nossa dica de hoje? Tem alguma sugestão para compartilhar? Deixe em seus comentários aqui embaixo! 




quarta-feira, 4 de abril de 2018

A vida ensina!


Maria Eduarda era uma pessoa orgulhosa e trabalhava como faxineira em um restaurante. Ela detestava o trabalho que fazia, pois acreditava que era algo menor, inferior, mas não tinha escolha, pois precisava do dinheiro para se sustentar. Ela tinha que engolir seu orgulho e aprender a ser humilde. A vida estava lhe ensinando a virtude da humildade.

Jonathan era um rapaz muito preguiçoso. Não gostava de trabalhar e nem de estudar. Seus pais tiveram uma crise financeira e começaram a perder tudo o que tinham. Jonathan estava agora numa encruzilhada, pois precisava tomar uma atitude e arranjar um emprego, assim como iniciar seus estudos. A vida estava lhe ensinando o valor do esforço e a sair do conformismo.

Elaine era uma pessoa muito nervosa, irritada e não admitia receber ordens. Trabalhava em um banco quando certo dia houve uma mudança na equipe. O novo chefe era um homem autoritário e começou a pegar no pé de Elaine. A moça, muito irritada, não podia responder nem brigar com ele, caso contrário seria demitida. Por isso foi obrigada a se controlar e a relevar certas atitudes do chefe. A vida estava lhe ensinando a ser uma pessoa menos nervosa e mais tranquila.

Augusto era um homem muito organizado, muito certinho e tinha horror a desorganização. Tinha crenças muito rígidas e era bastante conservador. Certo dia, conheceu e se apaixonou por uma mulher que era o oposto dele. A moça era liberal, não ligava para organização e não cultivava as mesmas crenças que ele. Augusto detestava esse jeito da moça, mas a amava muito, e por isso, foi obrigado a conviver com as diferenças e teve que se tornar uma pessoa mais aberta. A vida estava lhe ensinando o respeito as diferentes visões de mundo e comportamentos, abrindo sua mente.

A vida sempre nos coloca em situações que nos obrigarão a rever nossos comportamentos, valores e crenças e a nos tornarmos pessoas melhores. Não reclame ou fique brigando com as circunstâncias, mas procure decifrar sua mensagem.  Nada disso é ruim, mal ou negativo, mas é apenas a força e a inteligência da vida tentando te ensinar algumas lições de sabedoria.

E você, que está passando por algum sofrimento, reflita… O que a vida está querendo te ensinar?



segunda-feira, 2 de abril de 2018

Festa do senhor 7 Porteira e senhora Maria Padilha - 2018


Neste sábado, dia 31 de março de 2018, o Terreiro de Ogum de Lei realizou a festa em homenagem a estas duas grandes entidades: senhor Exu 7 Porteira e a senhora Pombagira Maria Padilha! A festa estava linda! Dá uma olhada nas fotos abaixo... 






Pano da Costa


Também conhecido como alaká, pano-de-alaká ou pano-de-cuia, o pano-da-costa é de origem africana e compõe a indumentária da roupa de baiana. Seu uso está intimamente ligado ao âmbito das religiões afro-brasileiras e obedece às cores simbólicas dos orixás. Sua denominação faz referência à costa africana, mais precisamente a ocidental, local de origem dos muitos produtos trazidos para o Brasil, especialmente para o recôncavo baiano.

De formato retangular – o tamanho padrão é de dois metros de comprimento por 60 centímetros de largura, é composto de faixas, tecidas em tear horizontal, depois, costuradas manualmente, formando padrões, em geral geométricos e bicolores, que seguem as texturas dos fios de algodão combinados com os de seda, caroá e outros materiais.

Seguindo esses padrões formais, o pano-da-costa – usado sobre um ombro, pendendo uma das pontas sobre o peito e a outra sobre as costas – adquire sua identidade de produto que integra a roupa tradicional de baiana e suas variações sociais e religiosas. 

Listrado, liso, estampado ou bordado em richelieu ou renda, é por meio dele que a mulher demonstra sua posição hierárquica na organização sócio-religiosa dos terreiros.

Sendo este presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileira, o pano-da-costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros.

Observemos a profunda conotação sócio-religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africano.

O pano-da costa é assim chamado por ter sido um tipo de tecido vindo da costa dos escravos, Costa Mina, Costa do Ouro.

O tecido original foi substituído por outros tipos de tecidos, o que não diminui em nada as funções do pano-da-costa.

A situação do pano-da-costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio-religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher.

O pano-da-costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos afro-brasileiro, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os orgãos reprodutores das mulheres, das Yamis, já que as energias emanadas das mesmas prejudicam muito todo o aparelho reprodutor da mulher.

Nos rituais no candomblé, o sirrum/axexê as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios.

De alguns anos para cá os homem aderiram o pano-da-costa, mas nenhum deles até agora explicou o porque de usá-lo e nem podem explicar pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino.

Pano da Costa na cintura ou no peito é demonstração de trabalho, assim usados no barracão, quando em função religiosa. Caso contrário, no dia-a-dia do terreiro pode ser “jogado” sobre o ombro direito e se mantém esticado ao longo do tronco. Não se “dança” sem esta peça da indumentária.

Mesmo fora do trabalho, para visita ou passeio o seu uso é indispensável. Em casas tradicionais, quando uma iniciada chega sem o pano da Costa é comum a proprietária do terreiro emprestar um à visitante, que, em sinal de educação ou respeito, coloca-o sobre o ombro direito ou, se entrar na roda, usa-o de maneira adequada à sua posição dentro da hierarquia do Candomblé.

O pano da Costa é a peça de maior significado histórico dentro do vestuário africano, em conjunto com o torso. O uso de saia, Camisu ou bata e pano da Costa são indispensáveis dentro do Axé... A maneira de amarrar, colocar ou “enrolar” o pano varia de acordo com a situação, o ritual desenvolvido ou a posição hierárquica.

Pano da Costa é a redução do termo "Pano da Costa do Santo", e referia-se aos panos de adorno, espécie de xales longos, que integravam o traje típico das africanas e das crioulas da Bahia.

Chamam-se panos da costa, aos tecidos artesanais de origem africana. Tais como os demais produtos importados da África, sabão da Costa, limo da Costa, búzio da Costa, e que tinham uso popular, são conhecidos pelo adjetivo "da Costa", muito embora a origem de alguns deles seja várias e ainda controversa.

A princípio esta denominação estendia-se a todos os tecidos importados da África, qualquer que fosse a sua aplicação; o uso lhe foi restringindo o campo até a limitação ao xale. O pano da Costa é, portanto, uma peça de vestimenta tecida de algodão, lã, seda ou ráfia — às vezes em dupla associação desses elementos — que a baiana deita sobre pontos diversos das suas vestes, às vezes, ajustando-o ao corpo em formas convencionais e relativas às diferentes funções que se apresta a desempenhar momentaneamente.

A África negra tem uma longa tradição têxtil, onde a variedade de materiais é tão grande quanto os estilos encontrados. Utilizados como roupa, os tecidos serviram também de moeda, foram utilizados como mensageiros e objetos estéticos.

Os primeiros "tecidos" foram realizados com casca de árvore batida; muito difundidos antigamente numa grande parte do continente, eles são encontrados atualmente sobretudo nas populações da África central, onde são, na maioria das vezes, decorados com tintas vegetais.

A tecelagem só foi desenvolvida bem mais tarde, a partir do século 11, mesmo se tecidos ricamente trabalhados já eram importados dos países da África do norte, do Egito e da península arábica para vestir as populações das grandes cidades portuárias das costas orientais assim como os membros das classes nobres dos reinos do deserto do Sahel.

Nesta mesma época, a expansão do islã, introduzindo novos códigos vestimentários, desempenhou um papel importante no desenvolvido que sofreram os tecidos, sobretudo na África ocidental.

Os tecidos de fabricação local constituíram durante muito tempo bens raros e preciosos; marcas de poder e de riqueza, reservados a uma elite, eles foram integrados como moeda para troca, graças aos quais era possível estimar o preço de uma mercadoria e comprá-la.

Desde sua chegada nas costas do continente, no século XV, os traficantes europeus exploraram as possibilidades comerciais que ofereciam esta nova "moeda" e encorajaram indiretamente a produção textil local devido à sua utilização.

A quantidade de tecidos detidos por cada família foi considerada durante muito tempo uma marca de riqueza e de poder em muitas sociedades africanas.