segunda-feira, 23 de abril de 2018

Salve Jorge!


Hoje é dia dele, dia de São Jorge guerreiro! E para nós umbandistas e candomblecistas é o dia de Ogum!

São Jorge é um santo católico, que viveu entre 275 e 280 à 23 de abril de 303. Ele foi um soldado romano no exército do imperador Diocleciano, foi venerado como mártir cristão e imortalizado na lenda onde mata o dragão.

Ele é lembrado nos dias 23 de abril e 3 de novembro onde é muito lembrado na reconstrução da igreja católica que foi dedicado, em Lida - Israel.

Segundo histórias, Jorge teria nascido em Capadócia (hoje região da Turquia) e mudou-se, ainda criança, para Palestina com a sua mãe após o seu pai morrer em batalha.

Entrou para a carreira das armas quando atingiu a adolescência, em pouco tempo foi promovido á capitão do exército romano por causa de sua dedicação. Dize que quando a sua mãe faleceu, Jorge pegou a sua herança e doou aos mais pobres e necessitados causando uma grande surpresa na corte imperial.

Em 303, Diocleciano (influenciado por Galério) publicou um documento que mandava prender todo soldado romano cristão e que todos os outros deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Jorge foi ao encontro do imperador para objetar, e perante todos declarou-se cristão. 

Não querendo perder um de seus melhores tribunos, o imperador tentou dissuadi-lo oferecendo-lhe terras, dinheiro e escravos. Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar aos deuses romanos. 

Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio, aos poucos, ganhado notoriedade e muitos romanos, tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia, na Ásia Menor.

A imagem de São Jorge, na umbanda, é sincretizado ao orixá Ogum, que também é um guerreiro dentro do panteão yorubá. Por isso que no dia de hoje é lembrado e comemorado Ogum nas religiões de matrizes africanas que cultua este orixá.



quarta-feira, 18 de abril de 2018

Lágrimas da umbanda


Um dia na espiritualidade superior, alguns espíritos se reuniram e sonharam com um local onde o amor, a fé, a caridade e a humildade fossem os pilares de um lindo trabalho espiritual.


Um trabalho voltado ao amor ao próximo e a caridade. E assim surgiu a nossa linda e sagrada Umbanda. Os nossos mentores e nossas guias espirituais conspiraram para que tudo desse certo. Reuniu algumas pessoas na terra com os mesmos ideais.



Trabalharam firme para que estas pessoas se encontrassem e assim colocando em prática o que antes era ainda um sonho. Uma pena que algumas das pessoas escolhidas desviaram-se do caminho tão lindamente preparado.E exercem uma "Umbanda" tão diferente da que fora sonhado. E mais errados são aqueles que "usam" o nome dos nossos tão queridos guias para dizer aquilo que pensam.
Sempre negando a verdadeira realidade. E continuam praticando rituais mentirosos e falsas ideologias.


Muitas vezes me pego pensando, no que me levou a ser Umbandista! E nos últimos tempos isto tem sido mais constante! Devo confessar que todos os dias, tenho muitas alternativas, até mesmo a alternativa de mudar. Mas invariavelmente chego sempre a mesma conclusão. Sou umbandista por que amo esta religião, e ela me permite praticar o bem, ajudar quem realmente precisa.


Ela me fez crescer e aprender a amar a vida. E me ensinou a enxergar o mundo de uma forma diferente, alargando meus horizontes, não me deu riquezas materiais, mas me deu paz, me deu compreensão. Trouxe acalento nas horas mais dolorosas, me fez conhecer muitas pessoas. Algumas que já passaram outras ainda estão presentes em minha vida. E olha que outras eu nem conheço pessoalmente.



Aprendi como princípios básicos desta religião o amor, a fé, a humildade e a caridade.


Foi a Umbanda com estes princípios que aprendi a amar. Aí de repente eu vejo pessoas que contrariam todas essas práticas quase centenárias da Umbanda. E é tão triste contrariar as leis de Olorum. Por isso chora minha mãe Oxum. E assim rezo:


- Oxum lava meus olhos, Oxum lava a minha alma, Oxum mãe das águas, lava o meu coração, Oxum flor das águas, lava o meu coração, que a enxurrada de suas águas tome conta de mim, e leve minhas mágoas! Que assim seja!

Este texto foi escolhido para pedir humildemente a cada um que se propõe a vestir o branco e ser chamado(a) de médium que valorize esta tarefa. Ela é muito importante em sua vida e na das pessoas que procuram você e as Entidades que o acompanham. 

Que Oxum não precise chorar mais... Que nenhum Orixá seja preterido e que acima de tudo possamos honrar a nossa religião: a Umbanda.


Sua presença foi e será sempre importante. Afinal podemos ser substituível aqui, mas podemos tornar nossa tarefa inesquecível


(Terreiro de Umbanda Iansã e mamãe Oxum - texto escrito por seu dirigente)



sexta-feira, 13 de abril de 2018

Ossãe, o senhor das folhas


Ossãe recebera de Olodumaré o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, as glórias, as honras, ou, ainda, a miséria, as doenças e os acidentes.
Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossãe para manter a saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.
Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e imperioso, irritado com esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar, de Ossãe, a propriedade das folhas.
Falou do plano à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Ossãe pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. 
- Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias, disse-lhe Xangô.
Iansã aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando as árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.
Os orixás se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossãe permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação.
E, assim, continuou a reinar sobre as plantas, como senhor absoluto. Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.
(Fonte: Lendas Africanas dos Orixás, de Pierre Verger Fatumbi)


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Rita Benneditto


Rita de Cássia Ribeiro, ou simplesmente Rita Benneditto, nasceu em São Benedito do Rio Preto em 13 de junho de 1966. Compositora e cantora começou cedo a trabalhar com a sua voz e a música. No Maranhão fez backing vocals, participou do grupo folclórico Boi Barrica  e já em São Paulo estudou canto.

Lançou alguns álbuns, porém o que ficou mais conhecido foi o álbum Tecnomacumba, lançado em 2006. O repertório deste álbum conta com readaptações de pontos cantados de umbanda, tendo como início da ideia em 1997, quando Rita fez a primeira adaptação do ponto da entidade Jurema para o primeiro álbum Rita Ribeiro. 

Dentre muitos títulos, nós podemos encontrar: Oração ao Tempo, Cavaleiro de Aruanda, Jurema, Cocada e Rainha do mar.

Escolhi a que representa muito bem a nossa querida umbanda, "Saudação/Abertura".


        
Balaroyê exu, exu é Mojubá                               
Ogunhiê Patacori
Ogum é Orixá !
Kao Cabicile Xangô
Kao meu pai !
Okê Arô
Oxossi é Caçador !
Ewêassa ossanha
Ewêassa
Roboboia Oxumaré              

Roboboia!
Atoto Ajuberô
Atoto Obaluaiê!
É tempo, é tempo
sará tempo
Eparrei
Ora ieie o mamãe Oxum
Ora ieie o
Ô docyaba Yemanja
Ôdoia mamãe
Saluba Nanã Saluba!
Erê mim
Ibeji
Jurema
Adorei as almas
As almas adorei
Xeuê epa babá Oxalá
Xeuê epa !

O sino da igrejinha
faz belém blemblaum
deu meia-noite o galo já cantou
Seu Tranca rua que é dono da gira
oi corre gira que Ogum mandou

Exú apavenã exú apavenã
em minha aldeia ingá é
exú apavenã

É uma casa de pombo
é de pombo girá
auê auê auê

Ganhei uma barraca velha
foi a cigana quem me deu
o que é meu é da cigana
o que é dela não é meu
ciganinha puerê, puerê, puerá

Girê mavilê mavangô
oh Zé! Quando vier da lagoa
toma cuidado com o balanço da canoa
oh Zé! Faça tudo que quiser
só não maltrate o coração dessa mulher

Lá na porteira eu deixei meu sentinela
eu deixei o meia-noite
tomando conta da cancela

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sim, sou feita no santo!


Sim , sou feito no santo...

Raspei meus cabelos , encarei o olhar do preconceito e venci os meus maiores medos .

Sim, sou feito no santo...

Dormi quando quis ficar acordado , fiquei acordado quando o que mais queria era dormir , comi sem sentir fome e senti fome quando não podia comer .

Sim, sou feito no santo... 

Vivi a simplicidade , aprendi a humildade e ganhei o conhecimento.

Sim, sou feito no santo...

Aprendi a cantar, a rezar e a AMAR aquilo que sempre foi motivo de medo e repúdio para os ignorantes .

Sim , sou feito no santo... 

Conheci o desconhecido, sobrevivi ao um universo paralelo e descobri uma imensidão de aprendizado.

Sim , sou feito no santo...

Me arrepiei quando senti o poder da força do asé e me emocionei quando senti o tamanho do amor da minha fé.

Sim , sou feito no santo...

Eu chorei, eu ri, eu louvei, eu escutei, eu abaixei a cabeça e bati paó.

Sim , sou feito no santo...

Uso kelê, contra egun , umbigueira e cháoro.

Sim, sou feito no santo... 

Dormi sobre o ibá , beijei meu ibá , admirei meu ibá , e fiz carinho em meu ibá, pois aprendi a amar o lar do meu orixá.

Sim sou feito no santo...

Vivi em um breve tempo uma vida que poderia ser escrita num livro, foram momentos únicos, oportunidades únicas e uma grande chance de poder ter a honra de vivenciar um momento tão único e especial dentro da religião afro. 

Sim, sou feito no santo..  

Eu morri e renasci para uma vida que sem dúvida alguma é a melhor de todas. Pois vida sem fé , não se vive , somente sobrevive.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

6 curiosidades sobre o povo cigano


Ontem foi o dia internacional dos ciganos e hoje vamos conhecer algumas curiosidades desse povo alegre, cheio de mistérios, por muito tempo perseguido na Europa e rotulados por gente que não os conhecem...

A tradição cigana é muito restrito e ainda hoje não conhecemos totalmente seus detalhes, isso porque a cultura desse povo é oral, ou seja, passado de geração para geração, de pai para filho, de mãe para filha...

Vamos conhecer então essas curiosidades?

1. A maior minoria étnica da Europa.

De acordo com a pesquisa realizada pela Comissão Européia, os ciganos são o maior grupo de minoria etnicamente falando na Europa. Estima-se que exista entre 10 à 12 de ciganos vivendo na Europa.

2. Porajmos, a dizimação do povo cigano.

Nas aulas de história estudamos sobre o Holocausto, a dizimação do povo judeu. Porém não conhecemos sequer a existência da dizimação do povo cigano chamada de Porajmos. Desde que este povo chegou na Europa, por volta do século XII, sempre sofreu perseguições e muitos foram escravizados na Romênia por mais de quinhentos anos. O parlamento Europeu só passou a reconhecer o Porajmos como um genocídio na história da humanidade em 2015 e o dia 2 de agosto é considerado o Dia da memória dos ciganos, tendo sempre homenagens aos mais de 500 mil ciganos assassinados durante o Porajmos.

3. O dia mundial dos ciganos.

No ano de 1990, na Polônia, foi instituído o dia mundial dos ciganos o dia 08 de abril. Na Europa existem vários eventos relacionados ao dia para refletir e diminuir ações preconceituosas e intolerantes sobre este povo.

4. Ciganos aqui no Brasil.

Apesar de não ser oficial, estimasse que aqui em nosso país exista 500 mil ciganos espalhados pelo território nacional. Infelizmente aqui, os ciganos também sofrem atos e situações preconceituosos.

5. As crianças e ervas.

Desde muito cedo as crianças aprendem a identificar suas propriedades e utilizar as ervas.

6. Os lenços e a lua.

Os casamentos dentro da cultura cigana sempre são realizados no período da lua cheia e para demonstrar que aquela cigana está casada, elas utilizam lenços na cabeça.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

A lingua


Quando Obatalá entregou o comando a Xangô, como este era jovem, ninguém o queria respeitar e nem leva-lo em consideração e todos os dias alguém fazia fofocas a Obatalá sobre Xangô.

Depois de tantas fofocas um dia Xangô disse a Obatalá: 

- Pai, por que todos os dias lhe dizem algo de mim, e nada disso que dizem é verdade?

Mas Obatalá, que conhecia a seriedade de Xangô, lhe disse: 

- Espera que os dias passem e te acalme tenha paciência.

E assim Xangô foi embora da casa de seu pai. 

Obatalá foi consultar a Orumilá (o orixá da sabedoria) este lhe disse para fazer uma oferenda à Exu e que mandasse Xangô cozinhar e que tirasse suas próprias conclusões, e assim fez Obatalá mandou chamar Xangô e lhe disse: 

- Filho Meu, eu gostaria que você fizesse uma refeição para todos os meus filhos e para mim. Gostaria que você me fizesse ou cozinhasse o que há de MELHOR no mundo.

Xangô fez a comida aos filhos de Obatalá, tal como ele tinha pedido e fez para Obatalá língua de vaca e este disse:

- Xangó, língua é a melhor comida do mundo?

Respondeu Xangô:

- Sim pai, um bom axé de língua é a melhor comida do mundo.

Passou algum tempo e Obatalá voltou a pedir a Xangô para fazer uma refeição para todos os seus filhos, mas que ele fizesse a PIOR comida que havia no mundo.

Xangô cozinhou para ele outra vez a língua, e Obatalá lhe disse: 

- Xangô, se da outra vez você me fez o mesmo e me disse que era o melhor!!!! Por que você fez o mesmo como sendo o pior?

Xangô lhe respondeu: 

- Pai, uma boa língua salva um povo, mas uma má língua, pode ser a perdição do mesmo povo. 

Ouvindo Obatalá lhe disse: 

- Você tem razão, Xangô. Uma língua pode ser boa ou má depende da intenção que for usada!!! E é por isso que você vê que todos os dias estão falando algo de você, e precisamente, por isso vai te tornar maior porque no dia em que não te mencionarem no BEM ou no MAL, deixarias de ser Xangô!