sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os dezesseis irmãos

Conta a lenda que eram dezesseis irmãos: Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará.

Entre todos, Obará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio da floresta, com sua vida humilde e simples.

Um dia, os irmãos foram fazer a visita anual ao Babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o Babalaô perguntou: 

- Onde está o irmão mais pobre? 

Os outros irmãos disseram-lhe que havia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade eles tinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o Babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração e após a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam, maldiziam o presente dado pelo Babalaô: 

- Morangas? Isso é presente que se dê? Abóboras? 

A noite se aproximava e a casa de Obará estava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa do irmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que havia para comer na casa. 

O dia raiando, os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam a comê-las.

Na hora do almoço, a esposa de Obará lhe disse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.

Tempos depois, os irmãos de Obará passavam por tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver a situação, ao chegar lá escutaram a multidão saldando um príncipe em seu cavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade, quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu: 

- Lembram-se das abóboras que vos dei? Dentro haviam riquezas em pedras e ouro, mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.


Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as abóboras e este assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão.

E quando o Babalaô em visita ao palácio de Obará lhe disse: 

- Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás.

 E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder tudo, como os irmãos de Obará.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por que no Candomblé os yaôs são pintados??

Houve um tempo em que Ikú, a Morte, cansou-se de vagar pelos quatro cantos do mundo a ceifar vidas.

Resolveu então escolher uma cidade ao acaso e lá fazer sua morada. 

Não via necessidade de sair procurando a quem matar se podia muito bem cumprir sua missão em um lugar somente.

A cidade escolhida em pouco tempo cobriu-se de luto.

Iku não poupava a ninguém, adultos e crianças, homens e mulheres, jovens ou velhos, se passassem por ela, iriam para o túmulo.

A população entrou em desespero, não havia mais sossego, sair à rua tornou-se uma perigosa luta entre a vida e a morte.

Todos se esgueiravam pelos caminhos mais recônditos rezando para não serem apanhados pela nova moradora. 

Quando o medo se tornou incontrolável, só viram uma solução, procurar por Oxalá e implorar sua ajuda para que o povoado não desaparecesse de vez.

Oxalá, depois de estudar o caso atentamente, aconselhou que fossem feitas diversas oferendas para muitos orixás e ao final, pintassem uma galinha preta com o giz de efum e a soltassem perto da morada de Ikú.

Os mais velhos foram os escolhidos para esta última tarefa , com muito medo e sem entender como isso ajudaria no caso, pintaram as pontas das penas da galinha com o pó branco e a soltaram no quintal da casa da temida vizinha. 

Durante algum tempo nada aconteceu.

Chegou então a hora em que Ikú deveria sair para cumprir sua tarefa.

Ao abrir a porta e dar de frente com aquele animal tão estranho que avançava para ela com as asas abertas, tomou enorme susto e imediatamente fugiu deixando a cidade em paz.

Foi dessa forma que Oxalá criou a galinha d'angola e é em referência a esta passagem que nos candomblés as iaôs são pintadas como ela para que todos se curvem perante a sabedoria e compaixão do grande orixá!

Yaô de Nanâ - Terciliano Junior

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O que são Abayomis?

ABAYOMI é uma palavra de origem yorubá (aldeia africana que situa-se, onde conhecemos hoje como Nigéria), ABAY significa ENCONTRO e OMI significa PRECIOSO, juntando os dois significados temos "encontro precioso" ou "precioso encontro". 

As abayomis são bonecas feitas de retalhos e nós. Não utiliza-se costura, cola ou nenhum tipo de técnica ou artifício para montagem dela. Se procurarmos  na história a sua origem, encontraremos a sua criação nos navios negreiros, época que o tráfico negreiro trazia negros escravizados para terras brasileiras. 

Nos navios vinham mulheres, homens, velhos, novos, crianças e principalmente estas ficavam muito assustadas com as condições no qual todos vinham e eram submetidos. As mãe para acalentar um pouco estas crianças, rasgavam pedaços de suas saias (quando tinha o que vestir), davam nós nos retalhos e depois de pronto entregavam para as crianças. 

Estas bonecas acabaram virando um simbolo de proteção para as crianças e de conforto também, pois no meio de todo o sofrimento, aquela boneca tinha o poder de mostrar e transmitir o grande amor que aquelas mães tinham pelas suas crianças e que elas, de uma certa forma, podiam se sentir protegidas.

A boneca não tem ligação nenhuma com religião, crença ou a mitologia, mas tem uma ligação muito forte com o passado de um povo que foi retirado de suas terras á força, sem condições nenhuma materialmente falando, sofreram com castigos físicos, violação de seus próprios corpos, humilhação e que, infelizmente, aparecem resquícios até hoje em nossa sociedade.

Veja algumas bonecas abayomis que o  nosso irmão Erik Mureno, do Terreiro de Umbanda Ogum de Lei e Vô Firmino de Angola, está fazendo!

Oxalá

Iemanjá

Oxum

Iansã

Oxóssi

Obaluayê


Nanã

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Parábola da rosa

Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.

Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:

“Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?”

Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regá-la e, antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu.

Assim é com muitas pessoas.

Dentro de cada alma há uma rosa: são as qualidades dadas para nós. 

Dentro de cada alma temos também os espinhos: são as nossas falhas.

Muitos de nós olhamos para dentro e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.

Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, ele morre.

Nunca percebemos o nosso potencial.

Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesmas.

Portanto alguém que está ao seu lado, deve mostrar a elas.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.

Esta é a característica do amor.

Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras falhas.

Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos.

Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

Portanto sorriam e descubram as rosas que existem dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam…

(Narrado por Sr. Exu Sete Porteiras)



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Vale dos Orixás 2017

O dia de ontem foi simplesmente MARAVILHOSO!!! O Terreiro de Umbanda Ogum de Lei e Vô Firmino de Angola participou junto com o Terreiro de Umbanda Caboclo Rei das Matas e Vó Angelina e Vó Luiza, presidido por nosso Avô Babalorisá Wagner ty Osún, no trabalho realizado na mata do Vale dos Orixás situado no interior do Santuário Nacional da Umbanda.

O Santuário que fica no bairro do Montanhão, em Santo André (Grande ABC - São Paulo), foi fundado pelo Pai Ronaldo Linares na década de 1970. O lugar é mantido pela Federação Umbandista do Grande ABC e da ajuda de filhos de fé e simpatizantes que frequentam o espaço. São 645.000 km2 de mata nativa totalmente recuperada, com um laboratório botânico, um minhocário, um viveiro de mudas e uma Escola de Ecologia Prática orientando a comunidade de como devemos respeitar a natureza.

Os trabalhos de ontem começaram no Reino dos Exus, depois visitamos Obaluaiê, fizemos um ritual para a mãe Terra na companhia de Oxóssi, fomos abençoados pelas águas de Oxum em suas cachoeiras, sempre agradecendo por nossas graças alcançadas e pedindo por algo que estamos precisando no momento. Logo em seguida tivemos a gira com Ogum, os Marinheiros, os Caboclos e Boiadeiro, a linha das águas com as Yabás e fechamos com os Baianos.

Vejam um pouco de como foi o dia de ontem. Iniciando a viajem...

No ônibus...

Nosso Avô Babalorisá Wagner ty Osún

Na van a irmã Priscila, a madrinha de nosso terreiro dona Lúcia e a Dofona de Iemanjá

Nosso Pai Babalorisá Álvaro ty Osogyian e Dofonitinho de Osogyian

























Chegando no Santuário...


Santa Sarah de Kali 
Cabana dos Ciganos



Os Ciganos

Cabana dos Pretos Velhos e Pretas Velhas

Vózinha e Vôzinho

Nossa Senhora de Aparecida

Fonte de Iemanjá
























Na tenda onde aconteceu a gira...



Nosso Pai Babalorisá Álvaro ty Osogyian e nosso irmão Ricardo








sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Qual é o papel dos atabaques?

O som é o nosso primeiro contato com o mundo desde a gestação até a nossa desencarnação. O homem produz sons e elementos sonoros desde a pré-história, desde a origem da história da humanidade!

Os primeiros tambores encontrados na história, no período neolítico, foi em
Instrumento musical pré colombiano
Morávia, datado de 6.000 a.C. Nas escavações arqueológicas são encontrados tambores de todos os tamanhos na Suméria, Mesopotâmia, Egito, entre outros lugares.

Os primeiros tambores eram construídos, provavelmente, em pedaços ocos de troncos de árvores cobertos com a pele de algum réptil. Os atabaques que conhecemos tem origem árabe e foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente pela região sul, por exemplo o Egito.

Nos terreiros é utilizado três desses instrumentos denominado de RUM, RUMPI
Rum, rumpi e lê
e LÊ. O rum é o atabaque maior, com o som mais grave e o responsável em puxar o toque do ponto a ser cantado.

O rumpi é o segundo atabaque, de tamanho médio, com o som mediano, que responde ao rum. O lê é o terceiro atabaque, o menor de todos, com o som mais agudo em relação aos outros dois e que acompanha o rumpi.

Esses três instrumentos são responsáveis por convocar os Orixás e as entidades de um determinado rito. Por esse motivo são muito importantes dentro de uma casa religiosa e que são respeitados como à um orixás. 

Hoje os atabaques são feitos de madeira nobre, como jacarandá, cedro ou mogno, cortados em ripas largas e presas em um aro de metal nas extremidades. No lado mais largo colocasse o couro de boi. Antes de tocar o atabaque em algum rito é preciso cuidar dele, verificando se o som está afinado, passando dendê para esticar mais e melhor o couro do instrumento eem alguns casos verificar e reforçar seus fundamentos.

No candomblé somente homens, os ogãns podem tocar os atabaques. Na umbanda os curimbeiros podem ser tanto o homem como a mulher. As pessoas que são responsáveis pelos atabaques carregam uma responsabilidade muito grande também dentro dos ritos, pois como popularmente é falado "eles podem tanto levantar como derrubar um médium!".


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

As 12 leis do mundo espiritual

I - Lei da Vibração

Tudo é energia e a energia vibra. A energia vibra de acordo com a sua frequência. Todos os sentimentos, pensamentos e objetos vibram de formas diferentes. São, sempre, na sua essência, apenas energia em movimento.

II - Lei da Responsabilidade

Tudo na sua vida é da sua responsabilidade. Se não toma a responsabilidade, algo ou alguém vai fazê-lo e controlar um aspecto da sua vida.

III - Lei da Intenção

As suas escolhas definem a sua vida. Para
produzir os resultados que deseja, defina a sua intenção. A intenção e os objetivos é que definem a direção da sua vida. Você é o líder e é sua missão dirigir onde a sua energia deve ser investida.

IV - Lei do Livre Poder

Você pode tudo. Não há limite para aquilo que pode expressar e atingir.

V - Lei do Retorno

Tudo o que produz no universo - ações, palavras, atitudes - receberá de volta. Toda a ação produz certa reação. Foque na causa, não no efeito.

VI - Lei da Relatividade

Nada é bom ou mau, grande ou pequeno, bonito ou feio até que relacione com algo. O importante é a sua perspectiva.

VII - Lei da Atração

A energia manifesta-se no mundo físico com precisão matemática. Os seus pensamentos e sentimentos também se manifestam com precisão matemática na realidade. O que pensa e sente é o que atrai para a sua vida.

VIII - Lei do Amor

O amor é a força mais poderosa do universo. O amor cura, fortalece, constrói,
regenera, embeleza e multiplica. Escolha aquilo que ama e será o que crescerá de melhor na sua vida.

IX - Lei da Semente

Cada ideia na sua mente é uma semente. Alimente, cuide, trate a semente e ela irá crescer e desenvolver-se na realidade física. Em conjugação com a Lei do Amor, essa semente irá crescer e atingirá os seus objetivos, no tempo certo e de acordo com o seu tratamento.

X - Lei da Fé e do Medo

A fé e o medo são de todas, as forças mais poderosas no universo. A sua vida é, todos os dias, influenciada pela energia que dedica aos medos ou a energia que dedica à fé. Um é o oposto do outro. Um substitui o outro. Aquele em que se focar, irá dominar a sua vida.

XI - Lei do Agora

O tempo não existe e é apenas uma criação humana. Só existe a energia do agora e ela reflete o seu passado, presente e visão futura. Tudo amontoa para o momento presente.

XII - Lei da Unidade

Você é um com tudo e todos. Tudo está relacionado consigo. Você partilha toda a energia que lhe rodeia. Tudo o influencia e você influencia tudo. O bem-estar dos seus amigos, família, comunidade e mundo, é o seu próprio bem-estar.