terça-feira, 14 de novembro de 2017

Oxum faz as mulheres estéreis

Logo que o mundo foi criado,

todos os orixás vieram para a Terra

e começaram a tomar decisões e dividir encargos entre eles,

conciliábulos nos quais somente os homens podiam participar. 

Oxum não se conformava com essa situação. 

Ressentida pela exclusão, ela vingou-se dos orixás masculinos.

Condenou todas as mulheres à esterilidade,

de sorte de qualquer iniciativa masculina

no sentido da fertilidade era fafada ao fracasso.

Por isso, os homens foram consultar Olodumare.

Estavam muito alarmados e não sabiam o que fazer

sem filhos para criar nem herdeiros para quem deixar suas posses,

sem novos braços para criar novas riquezas e fazer as guerras

e sem descendentes para não deixar morrer suas memórias. 

Olodumare soube, então,  que Oxum fora excluída das reuniões.

Ele aconselhou os orixás a convidá-la, e as outras mulheres, 

pois sem Oxum e seu poder sobre a fecundidade 

nada poderia ir adiante.

Os orixás seguiram os sábios conselhos de Olodumare

e assim suas iniciativas voltaram a ter sucesso.

As mulheres tornaram a gerar filhos

e a vida na Terra prosperou.

(Mitologia dos orixás - Reginaldo Prandi)



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ritual de prosperidade com os ciganos

A linha dos ciganos na umbanda mostra a alegria desse povo, mas também mostra os seus mistérios, suas magias, suas artes de leituras de cartas ou mãos por exemplo. É uma linha que os consulentes vem pedir ajuda principalmente financeira. 

Se você está precisando de uma ajudinha, confira esse ritual abaixo. Você precisará de:

- 1 taça virgem
- meia taça de mel puro
- 7 colherzinhas de pó de ouro( vende em casa de artigos religiosos)
- 1 vela de 7 dias dourada 
- 7 paus de canela 
- 7 anis estrelados
- 1 colher bem cheia de orégano

Coloque o mel na taça e encha com pó de ouro mexendo muito bem e logo acenda a vela ao lado pedindo clientes se tiver comércio, caminhos, prosperidade, etc...
Peça com fé aos ciganos do ouro e da prata! Quando a vela acabar coloque a taça em um local do seu agrado, pode por também atrás de sua porta ou onde achar melhor! 

No mesmo dia do ritual ferva 2 litros de água com ANIS, CANELA e ORÉGANO, tome o banho do ombro pra baixo pedindo PROSPERIDADE! 





domingo, 12 de novembro de 2017

Yànsán, a senhora das tardes

Oyá teve nove filhos, uns dizem que foi com Ògúm outros que foi com Shàngó , oito nasceram mudos e o último nasceu um Égúm e graças aos sacrifícios recomendados por Ifà, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada Segi, que imita a voz do macaco africano chamado Ijimarè, macaco que é consagrado aos Érés.

1 – Imalagà: Nasceu no primeiro dia do Eboykú arrancado do ventre de Oya pelas Ìyámi, e foi envolvido em abanos;

2 – Iorugà: Foi envolvido na palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oya e é o preferido;

3 – Akugà: Nasceu no terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal;

4 – Urugà: Alimenta-se das folhas da bananeira e esconde-se nas florestas. Faz buracos;

5 – Omorugà: Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos;

6 – Demó: Oyá cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Òshóòsì;

7 – Reigá: Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas;

8 – Heigà: É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens;

9 – Egungun: Oyá preparou-o para combater. Ele se apossa do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

Oyá carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os Égùns , chama-se Orukeré.

Recebeu de Shàngó o título de Yànsán , que quer dizer , “a senhora das tardes “, pois chegava sempre as tardes , linda e esvoaçante com sua roupa de fogo.

Rainha de muito brilho e amabilidade, Dona do vermelho, manipuladora do fogo e dos ventos fortes. Oya, recebeu de Olorún o titulo de L’Oyá Fefe Idé (Oyá dona dos ventos fortes).

Ela é a dona do Axêxê, pois foi criado por Oshóssi e quando o mesmo morreu, ela ficou tão desolada pois não tinha más ninguém para compensar tamanha solidão, levava todos os dias de quinta-feira os pratos prediletos de Oshóssi nas matas e fazia um verdadeiro banquete. Seu emblema é o Erukerê e a Ofanje .

É tida como ” Yá Osú ” mãe do vermelho. Suas principais  iguarias são os Acarás, o Amalá e o Ekuru



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os dezesseis irmãos

Conta a lenda que eram dezesseis irmãos: Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará.

Entre todos, Obará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio da floresta, com sua vida humilde e simples.

Um dia, os irmãos foram fazer a visita anual ao Babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o Babalaô perguntou: 

- Onde está o irmão mais pobre? 

Os outros irmãos disseram-lhe que havia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade eles tinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o Babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração e após a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam, maldiziam o presente dado pelo Babalaô: 

- Morangas? Isso é presente que se dê? Abóboras? 

A noite se aproximava e a casa de Obará estava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa do irmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que havia para comer na casa. 

O dia raiando, os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam a comê-las.

Na hora do almoço, a esposa de Obará lhe disse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.

Tempos depois, os irmãos de Obará passavam por tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver a situação, ao chegar lá escutaram a multidão saldando um príncipe em seu cavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade, quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu: 

- Lembram-se das abóboras que vos dei? Dentro haviam riquezas em pedras e ouro, mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.


Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as abóboras e este assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão.

E quando o Babalaô em visita ao palácio de Obará lhe disse: 

- Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás.

 E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder tudo, como os irmãos de Obará.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por que no Candomblé os yaôs são pintados??

Houve um tempo em que Ikú, a Morte, cansou-se de vagar pelos quatro cantos do mundo a ceifar vidas.

Resolveu então escolher uma cidade ao acaso e lá fazer sua morada. 

Não via necessidade de sair procurando a quem matar se podia muito bem cumprir sua missão em um lugar somente.

A cidade escolhida em pouco tempo cobriu-se de luto.

Iku não poupava a ninguém, adultos e crianças, homens e mulheres, jovens ou velhos, se passassem por ela, iriam para o túmulo.

A população entrou em desespero, não havia mais sossego, sair à rua tornou-se uma perigosa luta entre a vida e a morte.

Todos se esgueiravam pelos caminhos mais recônditos rezando para não serem apanhados pela nova moradora. 

Quando o medo se tornou incontrolável, só viram uma solução, procurar por Oxalá e implorar sua ajuda para que o povoado não desaparecesse de vez.

Oxalá, depois de estudar o caso atentamente, aconselhou que fossem feitas diversas oferendas para muitos orixás e ao final, pintassem uma galinha preta com o giz de efum e a soltassem perto da morada de Ikú.

Os mais velhos foram os escolhidos para esta última tarefa , com muito medo e sem entender como isso ajudaria no caso, pintaram as pontas das penas da galinha com o pó branco e a soltaram no quintal da casa da temida vizinha. 

Durante algum tempo nada aconteceu.

Chegou então a hora em que Ikú deveria sair para cumprir sua tarefa.

Ao abrir a porta e dar de frente com aquele animal tão estranho que avançava para ela com as asas abertas, tomou enorme susto e imediatamente fugiu deixando a cidade em paz.

Foi dessa forma que Oxalá criou a galinha d'angola e é em referência a esta passagem que nos candomblés as iaôs são pintadas como ela para que todos se curvem perante a sabedoria e compaixão do grande orixá!

Yaô de Nanâ - Terciliano Junior

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O que são Abayomis?

ABAYOMI é uma palavra de origem yorubá (aldeia africana que situa-se, onde conhecemos hoje como Nigéria), ABAY significa ENCONTRO e OMI significa PRECIOSO, juntando os dois significados temos "encontro precioso" ou "precioso encontro". 

As abayomis são bonecas feitas de retalhos e nós. Não utiliza-se costura, cola ou nenhum tipo de técnica ou artifício para montagem dela. Se procurarmos  na história a sua origem, encontraremos a sua criação nos navios negreiros, época que o tráfico negreiro trazia negros escravizados para terras brasileiras. 

Nos navios vinham mulheres, homens, velhos, novos, crianças e principalmente estas ficavam muito assustadas com as condições no qual todos vinham e eram submetidos. As mãe para acalentar um pouco estas crianças, rasgavam pedaços de suas saias (quando tinha o que vestir), davam nós nos retalhos e depois de pronto entregavam para as crianças. 

Estas bonecas acabaram virando um simbolo de proteção para as crianças e de conforto também, pois no meio de todo o sofrimento, aquela boneca tinha o poder de mostrar e transmitir o grande amor que aquelas mães tinham pelas suas crianças e que elas, de uma certa forma, podiam se sentir protegidas.

A boneca não tem ligação nenhuma com religião, crença ou a mitologia, mas tem uma ligação muito forte com o passado de um povo que foi retirado de suas terras á força, sem condições nenhuma materialmente falando, sofreram com castigos físicos, violação de seus próprios corpos, humilhação e que, infelizmente, aparecem resquícios até hoje em nossa sociedade.

Veja algumas bonecas abayomis que o  nosso irmão Erik Mureno, do Terreiro de Umbanda Ogum de Lei e Vô Firmino de Angola, está fazendo!

Oxalá

Iemanjá

Oxum

Iansã

Oxóssi

Obaluayê


Nanã

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Parábola da rosa

Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.

Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:

“Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?”

Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regá-la e, antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu.

Assim é com muitas pessoas.

Dentro de cada alma há uma rosa: são as qualidades dadas para nós. 

Dentro de cada alma temos também os espinhos: são as nossas falhas.

Muitos de nós olhamos para dentro e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.

Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, ele morre.

Nunca percebemos o nosso potencial.

Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesmas.

Portanto alguém que está ao seu lado, deve mostrar a elas.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.

Esta é a característica do amor.

Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras falhas.

Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos.

Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

Portanto sorriam e descubram as rosas que existem dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam…

(Narrado por Sr. Exu Sete Porteiras)