sexta-feira, 23 de março de 2018

Iansã ajuda Iemanjá


Exu foi chamado ao reino de Olokun, senhor dos mares, para um trabalho que somente ele poderia realizar. Ao chegar à sala do trono, ficou encantado ao conhecer Iemanjá, a filha do rei, que andava pelo salão a procura de uma jóia que tinha perdido. A beleza da moça era indescritível e Exu sentiu o ardor da paixão queimar-lhe o peito.

Saiu determinado a cumprir a missão e voltar o quanto antes para pedir a mão da princesa. Nunca ele fora tão rápido no cumprimento de uma tarefa quanto naquela. Em dois dias estava de volta, apresentando as provas do sucesso da empreitada. Olokun ficou contentíssimo e ofereceu ao rapaz grandes riquezas, mas este foi inflexível. 

A ele somente interessava casar-se com Iemanjá. O monarca ficou extremamente irritado com tamanha audácia e mandou que o colocassem para fora de seus domínios. Exu jurou vingança. Nunca ninguém o tinha tratado daquela forma e não engoliria a desfeita tão facilmente.

Durante semanas nada mais fez a não ser arquitetar um plano para raptar a princesa. Certa manhã, Iemanjá, com um imenso séquito, passeava pelas areias da praia, quando um imenso buraco se abriu a seus pés e a tragou para seu interior. 

Foi tudo tão rápido que ninguém pôde fazer nada. A fenda se fechou como se ali nada jamais houvesse acontecido. Os escravos desesperaram-se, como contar ao rei o sucedido? Certamente seriam mortos sem piedade. Não havia quem não conhecesse a fúria real. Pensando dessa forma todos fugiram e nunca mais apareceram para testemunhar o ocorrido. Enquanto isso, nas profundezas da terra, Exu desvelava-se em carinho e atenção para ganhar o amor de Iemanjá.

Desesperado com o sumiço da filha, o velho rei foi procurar um Babalaô que lhe contou exatamente o que tinha acontecido e o aconselhou a procurar por Iansã, jovem guerreira que nada temia e, por sua rara beleza, poderia granjear a simpatia de Exu. 

Iansã foi chamada e prontificou-se a buscar a jovem. Providenciou uma oferenda a Ifá, pedindo proteção e força, e partiu para o resgate.

Depois de muito andar, sentiu sob os pés a quentura que denunciava a presença do sequestrador. Brandiu sua espada no ar, chamando os raios de seu domínio, e enfiou-a na terra com toda a força. 

Uma cratera se formou e a guerreira foi descendo lentamente. Logo avistou a bela moça sentada a um canto chorando copiosamente, a seu lado Exu afagava-lhe os longos cabelos fazendo juras de amor eterno.

- Vim buscar a princesa! - Seu tom de voz não deixava dúvidas, viera disposta a tudo.

- Como ousa invadir meu reino e ainda por cima ditar-me ordens? - Exu gritava descontrolado - Minha princesa daqui não sai! - Apontou para os pés de Yansã e um círculo de fogo se formou em torno dela, impedindo seu avanço.

- Não discutirei com você, peço a intercessão de Orunmilá, para cumprir a missão para a qual fui incumbida! 

Raios começaram a se espalhar por todo o espaço, uma ventania muito forte envolveu o corpo de Iansã, que assim chegou perto da moça que a tudo assistia perplexa. 

O homem foi jogado contra uma parede atingido pela violência do vento. Um redemoinho as envolveu transportando-as para o reino de Olokun.

O mar se abriu dando passagem para o pequeno tufão cavalgado por Iansã. Dos olhos do rei correram lágrimas de alegria e gratidão quando avistou em meio ao tormento o rosto da querida filha.

Iemanjá e Iansã tornaram-se amigas pela eternidade. Exu ainda está no interior da terra, algumas vezes chora por uma e pragueja contra a outra. Hoje muitos terreiros cantam que em pleno mar havia duas ventarolas. É a essa história que se referem!


quinta-feira, 22 de março de 2018

Cafundó


"Olê lê eu vim te ver, olá lá vim te buscar, olê lê cadê você, olá lá chega prá cá!"

Hoje a dica é o filme "Cafundó" com Lázaro Ramos. O filme conta um pouco sobre a nossa cultura e faz analogia a algumas entidades da umbanda como, por exemplo, a pombogira, exu, os orixás e o preto velho...

A história se passa em Sorocaba, São Paulo, século XIX, onde o escravo João de Camargo fica liberto e junto com seu companheiro Ciniro, ele começa a trilhar um caminho que vai levá-lo à sua missão: ajudar as pessoas necessitadas com o seu dom.

O filme mostra João se transformando em um líder de uma crença da mistura do cristianismo com a cultura de raízes africanas e indígenas. 

Filmado em 2003 no Paraná e São Paulo, Cafundó foi vencedor da edição de 2005 do Festival de Gramado, recebendo os Kikitos de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte (Vera Hamburger), Melhor Direção de Fotografia (José Roberto Eliezer), Prêmio Especial do Júri e Prêmio Especial RGE (Rio Grande Energia) de Melhor Fotografia. 

Mesmo assim, demorou para entrar em cartaz no circuito comercial, mostrando que o cinema brasileiro ainda não tem tanto espaço entre o público e os exibidores em seu próprio país.

Vocês podem encontrar o filme em DVDs ou assistir no canal do Otávio Oliveira. Lembrando que este filme tem censura para menores de 16 anos.




quarta-feira, 21 de março de 2018

Chamado da umbanda


Não temos tempo a perder, a Umbanda nos chama.

Um chamado para nos religarmos com o sagrado que existe em nós.

Um chamado para adorarmos a Deus através de suas divindades, os Orixás.

Um chamado para melhorarmos a nós mesmos, para melhorarmos o universo ao nosso redor.

Um chamado para praticarmos a caridade, e estendermos todo o bem aos nossos semelhantes.

A Umbanda nos chama para a fé, e a fé faz o milagre acontecer.

A Umbanda nos chama para o amor, e o amor faz o ódio desaparecer.

A Umbanda nos chama para o conhecimento, e o conhecimento destrói a ignorância.

A Umbanda nos chama para vivermos e não apenas sobrevivermos.

A Umbanda nos chama para nos lembrar que se não damos o que recebemos, fatalmente perderemos o que temos.

A Umbanda nos chama para sentirmos o que antes não se sentia, para nomearmos os nossos sentimentos.

Sentir a calma, a paz, a vida, o tempo, a luz, a força, a esperança.

Viver com fé, com foco, com determinação, com coragem, com prazer.

Para estarmos próximos de Deus e Deus perto da gente.

A Umbanda é para todos que desejam ser plenos como seres espirituais vivendo experiencias humanas, para todos que querem razão para viver, razão para ser, razão para fazer.

A Umbanda nos chama para “fora” da escuridão de nossas mentes doentes e de nossas almas feridas, para “fora” das pertubações, do orgulho e do egoísmo.

O chamado que a Umbanda faz, é ” Venha sentir o corpo arrepiar, o coração acelerar, as lágrimas escorrerem pelo seu rosto enquanto seu sorriso mostra a felicidade interior que sentes”.

E também: “Venha como estás, e se permita ser transformado”.

O chamado que a Umbanda faz é “Venha, eu estava te aguardando, que bom que você chegou, espero que você fique. Bem vindo a ‘manifestação do espírito para a caridade', bem vindo ao meu colo e aos meus braços, sou eu quem te chamo e me chamo Umbanda”!



segunda-feira, 19 de março de 2018

A vela na umbanda


Ela fica presente em várias etapas nos trabalhos da Sagrada Umbanda.

Por vezes encontramos as velas vibracionais em congares, nas oferendas, pontos riscados, em firmamentos e assentamentos, firmando anjos de guarda e em quase todos os trabalhos de firmamento.

Quando um filho de Umbanda acende uma vela, mal sabe que está abrindo para sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente consciente nem sonha com a força de seus poderes mentais.

A vela funciona na mente das pessoas como um código mental. Os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na verdade, a fogueira interior de cada um, despertando a lembrança de um passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo,tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas.

A maioria dos umbandistas acendem velas para seus Guias de forma automática, num ritual mecânico, sem nenhuma concentração. 

É preciso muita concentração e respeito ao acender uma vela, pois a energia emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo e, juntas, irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da queima dessa vela.

Não é conveniente, ao encontrar uma vela acesa no portão do cemitério, nas encruzilhadas, embaixo de uma arvore, ao lado de uma oferenda, apaga-la por brincadeira ou por outra razão. 

Devemos respeitar a fé das pessoas. Quem assim o cometer, deve ter em mente, que poderá acarretar sérios problemas com esta atitude, de ordem espiritual. Precisamos respeitar o sentimento de religiosidade das pessoas, principalmente quando acender uma vela faz parte desse sentimento. Se acender uma vela a pessoa tiver um forte poder de magnetização, torna-se mais perigoso apagar a vela. Mas, se ela não estiver magnetizada, fica a critério de cada um.

Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande preocupação com o uso de velas virgens, ou que não estejam quebradas.

Isso tem um grande fundamento, pois a vela virgem estava isenta da magnetização de uma vela usada anteriormente evitando assim um choque de energias, que geralmente anula o efeito do trabalho.

História

Quando o homem ainda habitava as cavernas nasce o primeiro resquício do que viria se tornar a vela.

Nas pinturas deixadas por essas populações foram encontrados desenhos que assemelhavam-se a recipientes que mantinham fogo aceso.

Dentro desses recipientes eram depositados gordura animal – em forma líquida – e fibras vegetais como se fosse um pavio que se encarregava de manter a “vela” queimando.

Depois de sua descoberta foram se aprimorando os métodos, e então começaram a ser confeccionadas velas desde as com sebo de animais (cheiro não muito agradável) até as produzidas com cera de abelhas (aromáticas).

O fato do calor remeter a vida e o frio a morte pode ter sido um dos motivos pelos quais as pessoas começaram a associar a vela ao poder de abençoar e afastar males de suas casas e vida.


Lista de velas, as cores e a quem se pode oferecer (normalmente)

Anjo da Guarda: Branca.
Oxalá: Branca.
Ogum: Vermelha.
Xangô: Marrom.
Obaluaiê/Omulú: Branca e Preta (uma só)
Oxóssi: Verde.
Iansã: Amarela.
Iemanjá: Azul claro.
Nanã: Lilás (Roxa).
Oxum: Azul escuro
Ibeijada, Erês (Criança): Rosa, Azul e Branca (tres velas juntas) ou Azul e Rosa (uma só).
Malandros:  Branca e Vermelha (uma só).
Ciganos: Vela de Mel, de Ouro, Amarelo ou Laranja.
Boiadeiro: Marrom.
Caboclo: Verde. 
Preto velho: Branco e Preto (uma só)
Baianos: Branca ou Amarela. 
Marinheiro: Branca e Azul (uma só).
Pombo Gira: Vermelha 
Exu: Preto
Exu Mirim: Preto e Vermelho (uma só)

Lembrando que:

- Na falta de qualquer cor das velas citadas, a vela BRANCA é universal e pode ser oferecido para qualquer orixá ou guia.

- Cada casa tem a sua utilização de velas e as cores podem sofrer mudanças.

- No candomblé as velas normalmente são utilizadas na cor Branca.




sexta-feira, 16 de março de 2018

O nascimento de Osogyian


Nasceu dentro de uma concha de caramujo. 

Não tinha mãe. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido e sem rumo.

Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado. 

Apesar de feliz com sua nova cabeça branca, ela esquentava muito, e quando esquentava Osogyian criava mais conflitos. E sofria muito.

Um dia encontrou a morte (iku), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu. 

Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Osogyian ficou triste, porque a morte com sua frieza estava o tempo todo com o orixá.

Então Ogum apareceu e deu sua espada para Osogyian, que espantou Iku. 

Ogum também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça branca, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Osogyian ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas.

A partir deste dia ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. 

Osogyian depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.



quinta-feira, 15 de março de 2018

O compadre de Ogum


Esta semana temos uma novidade! Teremos a partir de hoje um cantinho onde o blog irá apresentar para vocês alguns filmes, livros, músicas ou artistas que mostram um pouquinho sobre a cultura afro-brasileira e acaba divulgando os nossos orixás ou a nossa religião.

Hoje vamos começar falando sobre o livro de Jorge Amado, "O Compadre de Ogum". Jorge Amado conta nesse livro a história de Massu e a sua dificuldade em encontrar um padrinho para seu filho.

No meio da confusão, Ogum se manifesta e quer ser o padrinho do menino, mas como fazer a vontade desse grande orixá se o padre da igreja não quer nem ouvir a palavra orixá? E para completar, Exú quer atrapalhar os planos de Ogum... 

Massu e seus amigos precisam encontrar uma solução bem rápido para este problema... 

O enredo traz  a magia da Bahia, com os orixás, a igreja católica e o evangélico em uma história deliciosa de se conhecer! 

Você encontra a história em livro ou em um longa que foi exibido pela rede globo e divulgado pelo canal no youtube Nefer Sphinx.




quarta-feira, 14 de março de 2018

O médium folgado


Médium folgado aparece de vez em quando. 

É o último a chegar e o primeiro a ir embora. Sempre com uma boa desculpa na ponta da língua. Chega no templo, troca de roupa, põe a fofoca em dia e vai para corrente. 

Corpo físico e vaidade presentes, espírito e caridade ausentes. Bate a cabeça diante do congá, mas a sua cabeça está em outro lugar... repete mecanicamente os pontos cantados feito robô ou papagaio, sem sentir a emoção sagrada que abre os portais do coração para as dimensões superiores da vida.

Durante os trabalhos, confunde as sábias intuições do Guia (que por um extremo de compaixão AINDA o acompanha, sabe Deus até quando...) com o lixo venenoso de seu subconsciente.

Resultado: passes energéticos precários, consultas e conselhos estúpidos... coitados dos consulentes! Trabalho extra para os trabalhadores invisíveis da casa. Coitados também dos outros médiuns, esses sérios e responsáveis, que são obrigados a triplicar sua doação de energia na sustentação da corrente para compensar a negligência do médium folgado, insensato e leviano. 

Terminada a gira de atendimento, lá vai o médium para o vestiário se trocar rapidinho. Varrer o chão do terreiro? Tirar o lixo dos banheiros? Ajudar os demais companheiros? Acertar as mensalidades em atraso? Que nada! 

- Tem um montão de médium aí à toa para cuidar disso. Melhor sair de fininho, pois tenho outro compromisso! 

Ao sair para rua, sente uma coisa estranha: um peso desagradável nos ombros acompanhado de súbita confusão mental, uma sensação de vazio interior indefinível... lá vai o médium folgado arrastando atrás de si feito um imã humano vários " kiumbas folgados" barrados na triagem vibratória feita pelos guardiões astrais na "porteira" do templo. 

Todos eles pegando carona em seu campo áurico totalmente desequilibrado e "folgado". "Punição divina?" "Castigo de Orixá?" Bobagem, meus caros! É apenas aplicação pura e simples da Lei. 

Neste caso, a Lei das afinidades. Ao contrário do "médium folgado" e seus colegas astrais igualmente folgados, a Lei não folga. A Lei não dorme. "Cada um recebe o que merece. E merece o que recebe..." 

Não está longe o dia em que o médium folgado sairá deste templo de Umbanda falando mal de seu dirigente, do corpo mediúnico, dos consulentes, dos guias e protetores que lhe deram amorosa acolhida e oportunidade de serviço regenerador... ele logo partirá em busca de outro lugar, crença ou distração que lhe forneça apenas os benefícios passageiros do "entretenimento" em vez dos benefícios permanentes do "comprometimento".

Mensagem do Sr. Exú Marabô recebida pelo médium Vanderlei Alves.