sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Imagine...

Imagine um abraço fraterno em 360 graus:

Isso é Umbanda.

Imagine uma vela acesa com Fé gerando mais energia que uma usina nuclear:

Isso é Umbanda.

Imagine Divindades, Anjos, Santos, Sábios, Magos, Gênios, Sacerdotes, Xamãs, Babalaôs, Pajés, Iogues, Iniciados, Cientistas, Curadores, Trabalhadores da Caridade de todas as épocas e culturas voltando à Terra para restaurar a Paz e a Lei Maior:

Isso é Umbanda.

Imagine a última peça que falta no milenar “quebra-cabeça” que compõe a sua Alma:

Isso é Umbanda.

Imagine traumas, neuroses, fobias, vírus e bactérias físicas e astrais sendo dissolvidos na baforada de um cachimbo:

Isso é Umbanda.

Imagine a Pemba traçando e reproduzindo os Códigos Sagrados da Criação:

Isso é Umbanda.

Imagine o padê de Exu promovendo a harmonia entre Luz e Trevas:

Isso é Umbanda.

Imagine o médium descalço vestido de branco iluminando-se por dentro:

Isso é Umbanda.

Imagine o consulente confortado e esclarecido subindo mais um degrau evolutivo:

Isso é Umbanda.

Imagine o Homem servindo a Natureza e a Natureza servindo o Homem:

Isso é Umbanda.

Imagine o sal das lágrimas misturando-se ao sal do Mar, Ventre de Yemanjá:

Isso é Umbanda.

Imagine a flecha certeira de Oxossi alinhando Razão, Emoção e Ação:

Isso é Umbanda.

Imagine a espada de Ogum abrindo caminho no cipoal das ilusões humanas:

Isso é Umbanda.

Imagine o machado de Xangô aparando as arestas do Karma Planetário:

Isso é Umbanda.

Imagine Oxalá retirando os espinhos de teu coração e Oxum cobrindo com mel teus ferimentos:

Isso é Umbanda.

Agora, deixe de imaginar...

Pois tudo isso não é sonho, é realidade vivida e sentida

A toda hora, todo dia, ao som de um belo ponto cantado

No abraço do Caboclo,

No toque do Preto  Velho,

Na brincadeira da Criança,

No olhar do Exu Guardião,

No sorriso do Baiano,

No balanço do Marinheiro,

No encanto da Cigana,

Na ginga do Malandro,

No laço do Boiadeiro...

...meu Filho:

ISSO É UMBANDA!

(Álvaro Vinícius)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Umbanda, 109 anos praticando a caridade!

No dia 15 de novembro de 1908, o Caboclo das 7 Encruzilhadas incorporou no médium Zélio de Moraes iniciando uma religião chamada UMBANDA. Religião que pregaria o amor e a caridade à todos que necessitassem!

Hoje, a nossa querida umbanda completa 109 anos de muito amor distribuído, de muita caridade praticada, muitos abraços dados a quem mais precisava em algum momento difícil ou alegre de sua vida!

Os filhos desta linda religião já conquistaram muitas coisas, com muita dor, luta e suor, mas precisamos conquistar muito mais!

Em novembro de 2016, o prefeito do Rio de Janeiro, decretou a Umbanda como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. Desde então a prefeitura começou a cadastrar os terreiros de umbanda.

Na última semana do mês de outubro deste ano, o Ministério da Cultura entrou com um pedido ao Instituto de Patrimônio Histórico e de Arte Nacional - IPHAN para tornar as religiões de Umbanda e Candomblé patrimônios nacionais.

Outra conquista foi em 16 de maio de 2012, a lei número 12644 foi aprovada instituindo o dia 15 de novembro o Dia Nacional da Umbanda.

Estes três fatos citados acima demonstra o resultado de uma grande luta de nossos irmãos de fé,  porém precisamos continuar lutando para que a intolerância religiosa possa algum dia não existir mais.

Vamos fazer desse dia, um dia para refletirmos e mostrar que nossa religião é merecedora de todo o respeito assim como todas as religiões que aqui existem.

Graças ao Caboclo das 7 Encruzilhada que um dia, aqui em terra se manifestou, que hoje podemos saravar junto com todas as linhas de umbanda.

Salve a Umbanda!




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Oxum faz as mulheres estéreis

Logo que o mundo foi criado,

todos os orixás vieram para a Terra

e começaram a tomar decisões e dividir encargos entre eles,

conciliábulos nos quais somente os homens podiam participar. 

Oxum não se conformava com essa situação. 

Ressentida pela exclusão, ela vingou-se dos orixás masculinos.

Condenou todas as mulheres à esterilidade,

de sorte de qualquer iniciativa masculina

no sentido da fertilidade era fafada ao fracasso.

Por isso, os homens foram consultar Olodumare.

Estavam muito alarmados e não sabiam o que fazer

sem filhos para criar nem herdeiros para quem deixar suas posses,

sem novos braços para criar novas riquezas e fazer as guerras

e sem descendentes para não deixar morrer suas memórias. 

Olodumare soube, então,  que Oxum fora excluída das reuniões.

Ele aconselhou os orixás a convidá-la, e as outras mulheres, 

pois sem Oxum e seu poder sobre a fecundidade 

nada poderia ir adiante.

Os orixás seguiram os sábios conselhos de Olodumare

e assim suas iniciativas voltaram a ter sucesso.

As mulheres tornaram a gerar filhos

e a vida na Terra prosperou.

(Mitologia dos orixás - Reginaldo Prandi)



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ritual de prosperidade com os ciganos

A linha dos ciganos na umbanda mostra a alegria desse povo, mas também mostra os seus mistérios, suas magias, suas artes de leituras de cartas ou mãos por exemplo. É uma linha que os consulentes vem pedir ajuda principalmente financeira. 

Se você está precisando de uma ajudinha, confira esse ritual abaixo. Você precisará de:

- 1 taça virgem
- meia taça de mel puro
- 7 colherzinhas de pó de ouro( vende em casa de artigos religiosos)
- 1 vela de 7 dias dourada 
- 7 paus de canela 
- 7 anis estrelados
- 1 colher bem cheia de orégano

Coloque o mel na taça e encha com pó de ouro mexendo muito bem e logo acenda a vela ao lado pedindo clientes se tiver comércio, caminhos, prosperidade, etc...
Peça com fé aos ciganos do ouro e da prata! Quando a vela acabar coloque a taça em um local do seu agrado, pode por também atrás de sua porta ou onde achar melhor! 

No mesmo dia do ritual ferva 2 litros de água com ANIS, CANELA e ORÉGANO, tome o banho do ombro pra baixo pedindo PROSPERIDADE! 





domingo, 12 de novembro de 2017

Yànsán, a senhora das tardes

Oyá teve nove filhos, uns dizem que foi com Ògúm outros que foi com Shàngó , oito nasceram mudos e o último nasceu um Égúm e graças aos sacrifícios recomendados por Ifà, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada Segi, que imita a voz do macaco africano chamado Ijimarè, macaco que é consagrado aos Érés.

1 – Imalagà: Nasceu no primeiro dia do Eboykú arrancado do ventre de Oya pelas Ìyámi, e foi envolvido em abanos;

2 – Iorugà: Foi envolvido na palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oya e é o preferido;

3 – Akugà: Nasceu no terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal;

4 – Urugà: Alimenta-se das folhas da bananeira e esconde-se nas florestas. Faz buracos;

5 – Omorugà: Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos;

6 – Demó: Oyá cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Òshóòsì;

7 – Reigá: Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas;

8 – Heigà: É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens;

9 – Egungun: Oyá preparou-o para combater. Ele se apossa do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

Oyá carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os Égùns , chama-se Orukeré.

Recebeu de Shàngó o título de Yànsán , que quer dizer , “a senhora das tardes “, pois chegava sempre as tardes , linda e esvoaçante com sua roupa de fogo.

Rainha de muito brilho e amabilidade, Dona do vermelho, manipuladora do fogo e dos ventos fortes. Oya, recebeu de Olorún o titulo de L’Oyá Fefe Idé (Oyá dona dos ventos fortes).

Ela é a dona do Axêxê, pois foi criado por Oshóssi e quando o mesmo morreu, ela ficou tão desolada pois não tinha más ninguém para compensar tamanha solidão, levava todos os dias de quinta-feira os pratos prediletos de Oshóssi nas matas e fazia um verdadeiro banquete. Seu emblema é o Erukerê e a Ofanje .

É tida como ” Yá Osú ” mãe do vermelho. Suas principais  iguarias são os Acarás, o Amalá e o Ekuru



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os dezesseis irmãos

Conta a lenda que eram dezesseis irmãos: Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará.

Entre todos, Obará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio da floresta, com sua vida humilde e simples.

Um dia, os irmãos foram fazer a visita anual ao Babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o Babalaô perguntou: 

- Onde está o irmão mais pobre? 

Os outros irmãos disseram-lhe que havia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade eles tinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o Babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração e após a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam, maldiziam o presente dado pelo Babalaô: 

- Morangas? Isso é presente que se dê? Abóboras? 

A noite se aproximava e a casa de Obará estava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa do irmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que havia para comer na casa. 

O dia raiando, os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam a comê-las.

Na hora do almoço, a esposa de Obará lhe disse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.

Tempos depois, os irmãos de Obará passavam por tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver a situação, ao chegar lá escutaram a multidão saldando um príncipe em seu cavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade, quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu: 

- Lembram-se das abóboras que vos dei? Dentro haviam riquezas em pedras e ouro, mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.


Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as abóboras e este assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão.

E quando o Babalaô em visita ao palácio de Obará lhe disse: 

- Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás.

 E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder tudo, como os irmãos de Obará.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por que no Candomblé os yaôs são pintados??

Houve um tempo em que Ikú, a Morte, cansou-se de vagar pelos quatro cantos do mundo a ceifar vidas.

Resolveu então escolher uma cidade ao acaso e lá fazer sua morada. 

Não via necessidade de sair procurando a quem matar se podia muito bem cumprir sua missão em um lugar somente.

A cidade escolhida em pouco tempo cobriu-se de luto.

Iku não poupava a ninguém, adultos e crianças, homens e mulheres, jovens ou velhos, se passassem por ela, iriam para o túmulo.

A população entrou em desespero, não havia mais sossego, sair à rua tornou-se uma perigosa luta entre a vida e a morte.

Todos se esgueiravam pelos caminhos mais recônditos rezando para não serem apanhados pela nova moradora. 

Quando o medo se tornou incontrolável, só viram uma solução, procurar por Oxalá e implorar sua ajuda para que o povoado não desaparecesse de vez.

Oxalá, depois de estudar o caso atentamente, aconselhou que fossem feitas diversas oferendas para muitos orixás e ao final, pintassem uma galinha preta com o giz de efum e a soltassem perto da morada de Ikú.

Os mais velhos foram os escolhidos para esta última tarefa , com muito medo e sem entender como isso ajudaria no caso, pintaram as pontas das penas da galinha com o pó branco e a soltaram no quintal da casa da temida vizinha. 

Durante algum tempo nada aconteceu.

Chegou então a hora em que Ikú deveria sair para cumprir sua tarefa.

Ao abrir a porta e dar de frente com aquele animal tão estranho que avançava para ela com as asas abertas, tomou enorme susto e imediatamente fugiu deixando a cidade em paz.

Foi dessa forma que Oxalá criou a galinha d'angola e é em referência a esta passagem que nos candomblés as iaôs são pintadas como ela para que todos se curvem perante a sabedoria e compaixão do grande orixá!

Yaô de Nanâ - Terciliano Junior