segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Desistindo...

"Hoje eu pensei em desistir, largar tudo, seguir outro rumo, de joelhos, chorando eu pedi a Oxalá um caminho novo. Foi quando eu senti o meu coração acelerar, senti uma força muito grande, meu corpo arrepiou, suava frio, quando abri os olhos todos os meus guias estavam em minha frente.

O primeiro a me abraçar foi meu preto velho, e ele me disse:

- Filho serei sempre o abraço que você precisa na dificuldade, comigo você pode sempre contar.

Logo em seguida veio a preta velha, sorriu, pegou um terço que estava em seu pescoço, colocou em minha mão e disse: 

- Filho quando estiver com o coração amargurado e com medo, ore com fé que eu venho lhe ajudar.

Logo em seguida meu caboclo deu um brado tão forte que me arrepiei dos pés a cabeça, e me disse:

- No meu brado todos os seus medos e inseguranças vão perder a força.

Logo em seguida veio minha cabocla e me olhou firme, tirou uma pena do seu cocar e disse: 

- Seja leve feito uma pena, mas saiba aonde pousar.

Logo em seguida veio meu erê, me rodeou jogou uma luz colorida e disse: 

- Vim colorir seu coração, ele anda muito triste.

Logo em seguida meu boiadeiro pegou seu laço e começou a rodar, tocou seu berrante e disse: 

- Enquanto eu for boiadeiro filho, nenhum dos meus se perde na estrada.

Calmamente meu cigano me olhou, piscou e disse: 

- Seja livre feito o vento, saiba caminhar alegremente e quando estiver perdido é só olhar para as estrelas, olhe, que lá vou estar para lhe guiar.

Quando eu ia me levantar olhei para o lado e minha pomba gira me deu a mão e disse: 

- Todas às vezes que você cair eu vou lhe ajudar a levantar, no chão você nunca vai ficar.

Lá na porteira dando segurança, meu Exú deu uma gargalhada e disse: 

- Gostou moço, da surpresa? Desistir pra que rapaz? Olha quantas pessoas acreditam em você. Enquanto nós espíritos formos firmes em sua vida, seu caminho será sempre a Umbanda!

E com um lindo sorriso ele bateu seu tridente no chão e todos os espíritos se foram. E foi aí que percebi que a Umbanda será sempre a luz que guia meu caminho. Que qualquer estrada que eu caminhar, a força que eu carrego ao meu lado sempre vai estar.

(Autor desconhecido)



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Carta de Oxum

Hoje o dia é dela, mas quem recebe presente é você, principalmente que é filho dela! Leia a carta que mamãe Oxum escreveu à seus filhos!

"Ah minha filha...!

Você e esse teatrinho de ser durona... 

De tentar ser fria e esconder teus sentimentos. Quem vê até pensa, quem vê até imagina que você é assim. Tão má, tão fria, tão durona.

Mal sabem eles como você é delicada, gentil e amável. Não com todos, aliás, com poucos. Pois para estar ao teu lado tem que ser pessoas sinceras e verdadeiras...

Até com sua mãe Oxum, você aprendeu a não ser tão sentimentalista. Aprendeu a ser forte, segura, firme e decidida...

Você guarda toda essa delicadeza por medo, eu sei... Medo de se machucar, medo de se decepcionar. Seja no amor ou na amizade!

As pessoas te pisam quando você é assim (delicada, sensível)... Então você prefere usar essa máscara aí. De fria e durona...

Meus parabéns, viu? 

Engana meio mundo, mas não a mim.

Te conheço muito bem pois sou sua mãe Oxum...

Eu vejo o aperto em seu coração à noite, vejo quando dizes que não aguenta mais. Eu vejo quando se desespera, quando se tranca e se isola do mundo. Conheço o seu choro baixinho pra ninguém ouvir. Eu vejo tudo...

Conheço você muito bem... és minha filha amada, minha protegida!

Sei que já te fizeram sofrer, e muito, eu sei...

Sei também que você finge não se importar, com as pessoas. Mas se importa até demais.

Basta um amigo ou familiar precisar de você e simplesmente você vai lá ajudar. Mesmo não estando bem, você vai e ajuda... Ah, que coração bom esse seu minha filha. Pena que nem todos reconhece e agradece... Não é verdade?

Sei que se preocupa, sei que ama, sei que sente. Você simplesmente esconde isso. Se bem que no fundo, ainda resta uma pequena esperança contida no seu coração...

Você, disfarçadamente, ainda tem fé, de que tudo vá dar certo. Amor, família, amigos... Um futuro, um príncipe, uma história de amor...

Você, no fim, continua sendo apenas uma garotinha que se entrega demais, que sente demais, que se machuca demais. que ama demais... Intensa é o que és!

Você tem um grande talento, sabe sofrer em silêncio e ainda colocar um sorriso lindo no rosto... Saiba filha que momentos ruins não são eternos, são como tempestades, só duram por algum momento. 

Olhe para trás.... e veja quantas coisas piores você já passou e superou!

Minha filha... 

Não seja a menina que caiu.

Seja a mulher que usou a fé, se levantou e deu a volta por cima!

Filha minha pode até cair... Mas não fica no chão!

Que o brilho do meu ouro seja a luz para clarear teus caminhos... 

Acredite, você será mas feliz do que imagina!

Sua mãe Oxum!"



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Ekèdi, quem são elas?

Comummente, vemos pessoas do santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. 

Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos orixás da casa. Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. 

O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje, mas se popularizou em todas as casas de candomblé no Brasil. Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. 

Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois, precisam   estar acordadas para exercerem sua função. Dentro de uma casa de santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifesatados por nosso orixá. 

A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do zelador da casa. 

Este cargo é de suma importância dentro do candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos encantados pudessem vir a Terra. 

Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros ministros. 

A complexidade de uma casa de santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os orixás estejam plenamente satisfeitos. 

Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações. 

Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no xirê dos orixás. Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos orixás, toca o adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos. 

Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando dele, para que se sinta amado e respeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nos orôs, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível. 

Devemos às mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso orixá de uma forma que jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido. 

E, quando identificam um aborrecimento de um orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa. Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois elas que nos acompanham em todos os rituais, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele orixá. 

Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A rainha dos raios e tempestades

No dia 4 de dezembro homenageamos a orixá rainha dos raios e tempestades, senhora que controla os espíritos dos mortos e guerreira destemida Iansã. Eparrey Oyá!

Iansã, ou Oyá, é um orixá sincretizada com Santa Bárbara, pela igreja católica.

Oyá, a deusa do Rio Niger, é representada com um alfange e uma cauda de animal nas mãos, e com um chifre de búfalo na cintura.

Na mitologia yorubá, Xangô casou-se com três de suas irmãs, deusas de rios: Oyá (deusa do rio Niger), Oxum (deusa do rio Osun) e Obá (deusa do rio Obá).

Nas lendas provenientes do candomblé, Iansã foi mulher de Ogum e depois de Xangô, seu verdadeiro amor. Xangô roubou-a de Ogum.

O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao entardecer, Iansã pode ser traduzido como “a mãe do céu rosado” ou a “mãe do entardecer“. Ao contrário do que muitos pensam Iansã não quer dizer “a mãe dos nove“. Xangô a  chamava de Iansã pois dizia que Oyá era radiante como o entardecer ou como o céu rosado e é por isso que o rosa é sua cor por excelência.

Características dos filhos de Iansã

O filho de Iansã é conhecidos por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar.

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Prece de agradecimento

Obrigado, meu Pai Oxalá,
Pela fé que me sustenta,
Pelos amigos que fiz
E continuo fazendo.

Obrigado, meu Pai Oxalá,
Pelas bençãos de Ogum,
Pela proteção de Iemanjá,
Pelo amor de Oxum.

Obrigado, meu Pai Oxalá,
Pela força de Iansã,
Pela retidão de Xangô,
Pelo colo de Nanã.

Obrigado, meu Pai Oxalá,
Pelo equilíbrio de Oxóssi,
Pelas curas de Omulu,
pelas cores de Oxumarê.

Obrigado, meu Pai Oxalá ,
Pelas folhas de Ossãe,
Pelas crianças que enchem
de alegria nossos terreiros,
Pela amizade dos Boiadeiros.

Obrigado meu Pai Oxalá ,
Pela humildade dos Pretos-Velhos,
Pelas almas santas e benditas,
Pela cumplicidade de Exu e Pomba Gira.

Obrigado, meu Pai Oxalá, 
por fazer de mim um instrumento da Tua vitória.

Asè!



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ori faz o que os Orixás não fazem.

Orunmilá reuniu todos os deuses em sua casa e lhes fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar o seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Xangô respondeu que ele podia.

Então foi lhe perguntado o que ele faria depois de ter andado, andado e andado até as portas de Cossô, a cidade de seus pais. Onde iam preparar-lhe um amalá e oferecer-lhe uma gamela de farinha de inhame. Onde lhe dariam orobôs e um galo, um aquicó. Xangô respondeu:

- Depois de me fartar, retomarei à minha casa!

Então foi dito a Xangô que ele não conseguiria acompanhar seu devoto numa viajem sem volta além dos mares.

Aos que entravam pela porta e ali ficavam de pé, Ifá fez a pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Oiá respondeu que ela poderia. Foi-lhe perguntado o que ela faria depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar à cidade de Irá, o lar de seus pais, onde lhe ofereceriam uma gorda cabra e lhe dariam um pote de cereal. Oiá respondeu:

- Depois de comer até me satisfazer, voltarei para casa!

Foi dito a Oiá que ela não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares.

A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Oxalá respondeu que ele poderia. Foi-lhe perguntado então o que ele faria depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar na cidade de Ifom, o lar de seus pais, onde matariam duzentos igbins servidos com melão e vegetais. Oxalá respondeu:

- Depois de comer até me satisfazer, voltarei para minha casa!

Foi dito a Oxalá que ele não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares.

A todos os deuses reunidos por Orunmilá, Ifá fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Exu respondeu que ele poderia acompanhar o seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais. Então foi-lhe perguntado: 

- O que farás depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar na cidade de Queto, o lar de seus pais, e ali te derem um galo e grande quantidade de azeite de dendê e aguardente? 

Ele respondeu que deposi de se fartar, voltaria para sua casa. foi dito a Exu:

- Não, não poderias acompanhar seu devoto numa viagem além dos mares e não voltar mais.

A todos os deuses reunidos por Orunmilá, Ifá fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Ogum respondeu que ele sim poderia. Foi-lhe perguntado o que ele faria depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar na cidade de Irê, o lar de seus pais, onde haviam de lhe oferecer feijões pretos cozidos e lhe matar um cachorro e um galo. Ogum respondeu:

- Depois de comer até me satisfazer, voltarei para minha casa cantando alto e alegremente pelo caminho!

Foi dito a Ogum que ele não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares.

A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

Oxum disse que ela podia. Foi-lhe perguntado:

- O que farias depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar na cidade de Ijimu, o lar de seus pais, onde te dariam cinco pratos de feijão fradinho com camarão, tudo acompanhado de vegetais e cerveja de milho?

 Oxum respondeu:

- Depois de me saciar, voltaria para minha casa!

Foi dito a Oxum que ela não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares.

A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá fez a seguinte pergunta:

- Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?

O próprio Orunmilá respondeu que poderia. Foi-lhe perguntado: 

- O que farás depois de caminhar uma longa distância, caminhar, caminhar e chegar na cidade de Igueti, o lar de seus pais, onde vão te oferecer dois ligeiros preás, dois peixes que nadam graciosamente, duas aves femêas com grandes fígados, duas cabras pesadas e prenhas, duas novilhas com grandes chifres? E onde vão te preparar inhames pilados, mingaus de farinhas brancas e a mais preciosa de todas as cervejas? E também te oferecer os mais saborosos obis e as melhores pimentas doces?

- Depois de me fartar - respondeu Orunmilá - voltarei para casa!

O sacerdote de Ifá ficou pasmo. Não conseguia uma palavra sequer. Porque ele simplesmente não entendia essa parábola. Disse ele:

- Orunmilá, eu confesso minha incapacidade. Por favor, ilumina-me com tua sabedoria. Orunmilá, és o lider, eu sou o teu seguidor. Qual é a resposta para a pergunta sobre quem dentre os deuses pode acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares?

Falou Orunmilá:

- Quando morre um sacerdote de Ifá, dizem que seus apetrechos de adivinhação devem ser deixados numa corrente d'água. Quando morre  um devoto de Xangô, dizem que suas ferramentas devem ser despachadas. Quando morre um devoto de Oxalá, dizem que sua parafernália deve ser enterrada.

Disse também Orunmilá:

- Mas quando os seres humanos morrem, a cabeça nunca é separada do corpo para o enterro. Não. Lá está Ori. Lá vai ele junto com o seu devoto morto. Somente o Ori pode acompanhar para sempre seu devoto, para sempre em qualquer lugar.

Falou ainda Orunmilá:

- Pois o Ori é o único que pode acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares!

(Livro: Mitologia dos Orixás - Reginaldo Prandi)


Artista: Marcelo Terça Nada

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O homem que se chamava Ogãn

Um itan que os mais velhos nos conta é   que:

Legbara (Bara) fazia a festa dos orixás cantando e batendo.

Bara sempre foi sem limites... com ele não tinha hora para acabar a festa. Deixava os orixás contrariados e eles acabaram  reclamando com Olodumare sobre a conduta de Bara sem limite.

Bara atendeu Olodumare e disse:

- Tudo bem!!! Não canto e nem bato atabaque mais para os orixás.

Um dia os orixás precisaram de Bara para festejar e Bara falou para os orixás:

- NÃO CANTO E NEM BATO PARA VOCÊS NUNCA MAIS!

Os orixás foram falar de novo com Olodumare. Pediram para que viesse a interceder na decisão de Bara.

Olodumare vai falar com Bara que diz:

- Nunca mais canto ou bato para os orixás!!! 

E fez um trato com Olodumare:

- Crie HOMENS de baixa mediunidade espiritual que ensino a cantar e bater atabaque. Neste exato momento de conversa estava passando um HOMEM e Olodumare falou para Bara:

- Ensina este HOMEM !!!

Bara falou:

- ENSINO!!!

E perguntou o nome do HOMEM que respondeu:

- Meu nome é OGÃN.

Por este motivo todos que toca e canta em ATABAQUE DE CANDOMBLÉ É CHAMADO DE OGÃN.

O legado dos nossos antepassados é ogãn homem e somente homem toca e canta no candomblé.

Na hierarquia do candomblé MULHER NÃO BATE ATABAQUE.