sexta-feira, 16 de março de 2018

O nascimento de Osogyian


Nasceu dentro de uma concha de caramujo. 

Não tinha mãe. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido e sem rumo.

Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado. 

Apesar de feliz com sua nova cabeça branca, ela esquentava muito, e quando esquentava Osogyian criava mais conflitos. E sofria muito.

Um dia encontrou a morte (iku), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu. 

Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Osogyian ficou triste, porque a morte com sua frieza estava o tempo todo com o orixá.

Então Ogum apareceu e deu sua espada para Osogyian, que espantou Iku. 

Ogum também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça branca, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Osogyian ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas.

A partir deste dia ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. 

Osogyian depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.



quinta-feira, 15 de março de 2018

O compadre de Ogum


Esta semana temos uma novidade! Teremos a partir de hoje um cantinho onde o blog irá apresentar para vocês alguns filmes, livros, músicas ou artistas que mostram um pouquinho sobre a cultura afro-brasileira e acaba divulgando os nossos orixás ou a nossa religião.

Hoje vamos começar falando sobre o livro de Jorge Amado, "O Compadre de Ogum". Jorge Amado conta nesse livro a história de Massu e a sua dificuldade em encontrar um padrinho para seu filho.

No meio da confusão, Ogum se manifesta e quer ser o padrinho do menino, mas como fazer a vontade desse grande orixá se o padre da igreja não quer nem ouvir a palavra orixá? E para completar, Exú quer atrapalhar os planos de Ogum... 

Massu e seus amigos precisam encontrar uma solução bem rápido para este problema... 

O enredo traz  a magia da Bahia, com os orixás, a igreja católica e o evangélico em uma história deliciosa de se conhecer! 

Você encontra a história em livro ou em um longa que foi exibido pela rede globo e divulgado pelo canal no youtube Nefer Sphinx.




quarta-feira, 14 de março de 2018

O médium folgado


Médium folgado aparece de vez em quando. 

É o último a chegar e o primeiro a ir embora. Sempre com uma boa desculpa na ponta da língua. Chega no templo, troca de roupa, põe a fofoca em dia e vai para corrente. 

Corpo físico e vaidade presentes, espírito e caridade ausentes. Bate a cabeça diante do congá, mas a sua cabeça está em outro lugar... repete mecanicamente os pontos cantados feito robô ou papagaio, sem sentir a emoção sagrada que abre os portais do coração para as dimensões superiores da vida.

Durante os trabalhos, confunde as sábias intuições do Guia (que por um extremo de compaixão AINDA o acompanha, sabe Deus até quando...) com o lixo venenoso de seu subconsciente.

Resultado: passes energéticos precários, consultas e conselhos estúpidos... coitados dos consulentes! Trabalho extra para os trabalhadores invisíveis da casa. Coitados também dos outros médiuns, esses sérios e responsáveis, que são obrigados a triplicar sua doação de energia na sustentação da corrente para compensar a negligência do médium folgado, insensato e leviano. 

Terminada a gira de atendimento, lá vai o médium para o vestiário se trocar rapidinho. Varrer o chão do terreiro? Tirar o lixo dos banheiros? Ajudar os demais companheiros? Acertar as mensalidades em atraso? Que nada! 

- Tem um montão de médium aí à toa para cuidar disso. Melhor sair de fininho, pois tenho outro compromisso! 

Ao sair para rua, sente uma coisa estranha: um peso desagradável nos ombros acompanhado de súbita confusão mental, uma sensação de vazio interior indefinível... lá vai o médium folgado arrastando atrás de si feito um imã humano vários " kiumbas folgados" barrados na triagem vibratória feita pelos guardiões astrais na "porteira" do templo. 

Todos eles pegando carona em seu campo áurico totalmente desequilibrado e "folgado". "Punição divina?" "Castigo de Orixá?" Bobagem, meus caros! É apenas aplicação pura e simples da Lei. 

Neste caso, a Lei das afinidades. Ao contrário do "médium folgado" e seus colegas astrais igualmente folgados, a Lei não folga. A Lei não dorme. "Cada um recebe o que merece. E merece o que recebe..." 

Não está longe o dia em que o médium folgado sairá deste templo de Umbanda falando mal de seu dirigente, do corpo mediúnico, dos consulentes, dos guias e protetores que lhe deram amorosa acolhida e oportunidade de serviço regenerador... ele logo partirá em busca de outro lugar, crença ou distração que lhe forneça apenas os benefícios passageiros do "entretenimento" em vez dos benefícios permanentes do "comprometimento".

Mensagem do Sr. Exú Marabô recebida pelo médium Vanderlei Alves.



segunda-feira, 12 de março de 2018

Novidades!!!


Irmãos de fé, logo, logo teremos novidades aqui!

Fiquem de olho! Não percam!


O que é mediunidade e como desenvolver?


Nos últimos meses, algumas pessoas que estão conhecendo a umbanda agora, e os muito curiosos, começaram a me fazer a seguinte pergunta: "o que é mediunidade?", "o que é desenvolvimento?" ou "como desenvolver a mediunidade?". E questionando, se outras pessoas também tem essas mesmas dúvidas, resolvi escrever um pouco sobre o tema.

Quando procuramos alguma definição da palavra mediunidade em algum dicionário ou na própria internet, encontramos a seguinte definição: "substantivo feminino, qualidade, faculdade ou dom de médium, medianimidade". Mas na prática o que é ser médium?  

Não conseguimos datar o ano da primeira manifestação mediúnica na história da humanidade, mas existem indícios que em povos, como os celtas, que existiam grupos fechados de sacerdotes especializados em comunicação com o além.

No decorrer do tempo, temos as irmãs Fox que criaram uma espécie de código, com batidas, para se comunicar com os espíritos que elas acreditavam existir na casa em que moravam. Mas foi com o pedagogo francês Allan Kardec que apareceram fatos que comprovaram a existência de espíritos e foi ele que codificou o espiritismo.

Como já vimos, a umbanda é uma religião de matrizes africanas, porém que tem fortes influências também dos índios e dos europeus com o catolicismo e o espiritismo. Por tanto na umbanda existe a mediunidade e os médiuns que são "a ponte" que liga o homem (encarnado) aos espirito (desencarnado).

Como descobrir se sou médium? Existem alguns sintomas que podem indicar que você tenha a mediunidade mais aflorada, pois todos carregam a mediunidade, ou seja, todos nós somos médiuns, porém uns mais aflorada outros menos. 

Sonhos que se realizam, intuição muito forte, sensação que está sendo acompanhada ou que alguém está perto de você, sensações de que o lugar que você está tem algo errado ou o ar está pesado, entre outros sintomas, podem indicar a mediunidade aflorada. 

Como você desenvolve a mediunidade? Depende muito de qual caminho você quer seguir. Se for no espiritismo o desenvolvimento é completamente diferente que um terreiro de umbanda realiza. Na umbanda você precisa:

- Escolher uma casa/terreiro/barracão que sentir melhor e que você confie, pois é nesse lugar que provavelmente começará o seu desenvolvimento e os seus cuidados espirituais.

- Conversar com o pai/a mãe de santo ou o guia chefe da casa para ter a certeza de que a sua mediunidade é de incorporação.

- Tomar seus banhos indicados pelo pai/mãe de santo nos períodos estabelecidos pelos mesmos.

- Frequentar, depois que estiver na corrente da casa, as giras de desenvolvimento para começar a reconhecer as energias de seus guias e seus pais de cabeça.

Basicamente são esses procedimentos que todo médium que está em desenvolvimento passam, lembrando sempre que cada caso é um caso e que cada casa tem os seus procedimentos.

Espero que este artigo tenha esclarecido um pouco das muitas dúvidas que os novatos e os curiosos sobre a mediunidade tem. Se tiverem mais dúvidas deixem em seus comentários logo abaixo do artigo. Se quiserem deixem sugestões também para os próximos artigos.



sexta-feira, 9 de março de 2018

Oxum e Iansã



Oxum me contou que quando Iansã, rainha dos ventos e tempestades, estava com seu coração confuso, cheio de mágoa e tristeza, ela ia se lavar nas águas doces de Oxum.

Ela pedia colo e conselhos, pedia conforto e um pouco do amor incondicional de Mamãe.

Quando Iansã chegava, Oxum se alegrava e a recebia de braços abertos, enfeitava seus lindos cabelos com o primeiro desabrochar das rosas vermelhas mais lindas que encontrava e pedia aos passarinhos que cantassem suas melodias mais doces. 

Oxum envolvia sua querida irmã com seus raios dourados e esperava pacientemente que se acalmasse e assim pudesse contar tudo o que se escondia naquele coração tão amado. 

Depois de um longo tempo em que Iansã aliviava seu coração e encontrava em Oxum o retorno para suas emoções e o equilíbrio necessário, algo misterioso sempre acontecia. 

Quem olhasse de longe poderia ver o deslumbrante e a perfeição dos movimentos que a água e o vento geravam, plenos como em uma dança, as duas energias giravam e giravam, uma alimentando e elevando a outra. 

O que acontecia é que Mamãe Oxum se alimentava da ira e tristeza de Iansã. 

Se fortalecia, se iluminava e conseguia todo o conforto e energia necessários para encontrar o caminho do mar, principalmente para superar suas próprias dores e tristezas. 

Uma protegia a outra, uma alimentava a outra e juntas eram capazes de trazer força e amor a todos que por elas clamavam...



quinta-feira, 8 de março de 2018

As mulheres e as yabás.


Mulheres... Ah mulheres...

Nós mulheres temos um pouco de cada yabá, mesmo sendo filhas de uma determinada orixá.

Nós somos iguais a Iemanjá, uma mãe sempre preocupada com as pessoas queridas que estão a nossa volta. Dando atenção, tentando proteger e distribuindo o amor intenso a todos seja amigos, familiares ou conhecidos queridos.

Tem momentos que parecemos Oxum, querendo chamar a atenção daquele amigo que está conversando com outra pessoa, ou aquele menino bonito que você está interessada. Faz de tudo para chamar a atenção, e quando consegue se faz de desentendida.

As vezes Iansã é que fica muito próximos a nós. Por um momento jogamos tudo o que está a nossa frente, como as tempestades que pertence a essa yabá!

Com doçura e ingenuidade, tem dia que parecemos Obá. As coisas acontecem em nossa frente, mas não vemos a maldade de quem fez e tentamos explicar o porque disto.

Tem dia que acordamos um pouco rabujentas, reclamando de tudo. Mas de repente parecemos que vemos tudo muito claro, com a clareza da sabedoria de tantos anos nas costas vividos... Parecemos Nanã com a sua sabedoria que conseguiu através dos anos vividos!

Temos também um mistério que muitos tentam descobrir, mas poucos conseguem chegar a conclusão. Assim como Ewá, a orixá misteriosa e encantada, que somente as virgens podem vê-las!

Assim somos nós mulheres. Cada momento uma yabá está próximo a nós, cada momento parecemos com uma yabá.

Somos assim... Parecidas com as yabás... Apenas mulheres...

(Autor: Regiane Oho)